Publicado por: JotaAntunes | 11 dezembro 2010

Bulling X Assédio Moral II- Uma visão psicanalítica da Drª Andréa Cabral


Ao receber o convite do meu amigo Jota para escrever um artigo sobre Bulling X Assédio Moral, não hesitei… Mas como falar sobre esse tema tão em voga sem cair no lugar comum?! Como ir para além do que já foi dito? Quando me lembrei de uma parábola:

PARÁBOLA DOS POTES DE BARRO

Haviam dois grandes e belos potes de barro que conversavam entre si no canto de um quintal:- Ah…, que tédio, que vida! Viver aqui, exposto a tudo, sol, vento, chuva, calor…  Por mais que eu me proteja como sobreviverei?  Aqui estou perfeitamente tampado, lacrado para proteger-me e ainda assim sinto-me ameaçado, vazio.  Não vejo graça em estar aqui…O outro pote tranqüilamente respondeu:- Cai a chuva e eu a recebo.  Vem o vento e eu o sinto bem dentro de mim.  Vem o sol e me leva as gotas que retornam para o céu.  E nem por isso sinto-me ameaçado…-

Ora, grande vantagem!

Seu interior não guarda mais a cor original como o meu, sua cor vai ficando cada dia mais diferente.  Você não é mais o mesmo…- Sim (respondeu o outro) e isso me alegra!  Meu interior transforma-se a cada dia, à medida que novas coisas me penetram.  Posso sentir cada criatura que me visita e cada uma delas deixa algo de si para  mim, assim como deixo para elas, pouco a pouco, a minha cor.- É, mas você não tem mais paz!  A todo instante você é solicitado, carregam você todo o dia para levar água, ao passo que eu permaneço no meu lugar.  Ninguém me incomoda.  Quando se aproximam, já sei que é a você que eles querem.- Sim, se me solicitam é porque tenho algo a dar, e o que dôo não é diferente do que você pode dar. Deixo-me encher pela água da chuva, que cai tanto sobre mim como sobre você.  Encho-me até transbordar.  Outros seres precisam desta água e eu os sirvo.  Esvazio-me e deixo-me encher de novo.  Assim minha vida é um constante dar e receber.  Enquanto isso desinstalo-me, saio do meu pequeno mundo e vou ao encontro de outros mundos.  Já conheci potes diversos, animais, pessoas, tantas coisas e seres… E cada um faz-me perceber ainda mais o pote que sou.- Não sei, mas se você continuar assim, brevemente será um pote quebrado, gasto, e então, de que adiantará tudo isto?- Creio que se me desgasto a cada dia é para ser possível levar a vida a outros seres.  Vejo que o mais importante não é ser um pote intacto tal como fui feito, mas um pote de valor no qual estou me tornando.  Se vou durar pouco tempo, não importa; se o pouco tempo que eu viver trouxer-me  alegrias e fizer-me sentir cada vez mais o que é ser pote, isso me basta…Já era tarde, o sol já havia se escondido quando os dois se cansaram de falar.  O pote aberto, sentindo-se cansado, logo adormeceu o que não foi possível para o outro pote.  Ele não conseguira dormir, pois algumas palavras ditas pelo companheiro vinham-lhe à mente e não o deixavam em paz.
Transformar o interior! Paz! Esvaziar-se! Deixar-se encher! Deixar algo de si! Ser pote! Desinstalar-se! Sair de seu pequeno mundo! Ser feliz! Ser útil! Levar alegria! Humildade! Paciência! Mansidão! * * *Na manhã seguinte, enquanto um pote acordava, o outro dormia, porque fora grande o seu esforço para tirar a tampa que o acompanhava há tanto tempo. Do Livro “As mais belas Parábolas de todos os tempos” de Alexandre Rangel

“Penso que quando escolhemos “tirar a tampa”, ou seja, ser o que somos, incomodamos, ameaçamos aos que permanecem com a “tampa”. Se um indivíduo fora dos estereótipos dos padrões definidos pela sociedade assume sua condição e se propõe satisfeito em ser como é, isso ameaça os que se consideram dentro do padrão, desta forma chegando até praticar violência, seja ela física ou psíquica. Alguém atende totalmente os padrões impostos pela sociedade? Beleza, inteligência, fortuna e poder? Quem são essas  pessoas intolerantes ao “diferente”? A meu ver, são apenas outros diferentes que temem revelar suas próprias fragilidades.Como a vida é feita de escolhas, EU escolho tirar a tampa, SER FELIZ e você?!”

Fátima Andréa Cabral, psicóloga, gestalt terapeuta, terapia de grupo – Graduada em pesquisa de mercado e opinião pública pela UERJ 1988-. Psicoterapeuta do Instituto Lettera, Cidade do Rio de Janeiro- 21-7699.4661
***

Holismo (grego holos, todo) é a ideia de que as propriedades de um sistema, quer se trate de seres humanos ou outros organismos, não podem ser explicadas apenas pela soma de seus componentes.A palavra foi criada por Jan Smuts, primeiro-ministro da África do Sul, no seu livro de 1926, Holism and Evolution, que assim a definiu: “A tendência da Natureza a formar, através de evolução criativa, “todos” que são maiores do que a soma de suas partes”.É também chamado não-reducionismo, por ser o oposto do reducionismo. Pode ser visto também como o oposto de atomismo ou mesmo como do materialismo. Vê o mundo como um todo integrado, como um organismo. O princípio geral do holismo pode ser resumido por Aristóteles na sua Metafísica: “O inteiro é mais do que a simples soma de suas partes.”De uma forma ou de outra, o princípio do holismo foi discutido por diversos pensadores ao longo da História. Entretanto, o primeiro filósofo que o instituiu para a ciência foi o francês Augusto Comte (1798-1857), ao instituir a importância do espírito de conjunto (ou de síntese) sobre o espírito de detalhes (ou de análise) para uma compreensão adequada da ciência em si e de seu valor para o conjunto da existência humana.

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