Publicado por: JotaAntunes | 18 abril 2011

O lúcido artigo do deputado Rafael Picciani-Desconhecida mente humana


Rafael Picciani entre assessores da ALERJ


Desconhecida mente humana

O massacre na escola de Realengo levou muita gente à reflexão sobre os motivos que teriam levado um jovem a praticar tamanha brutalidade. Logo vieram discussões sobre desarmamento, controle de entrada e saída das escolas e ainda sobre fanatismo religioso. A perda de dez meninas e dois meninos não pode simplesmente ser justificada como falha do sistema. Wellington era ex-aluno da escola. Entrou para participar da semana de comemorações em que ex-alunos dariam palestras. Não se pode privar um ex-aluno de entrar em sua escola, que faz parte de sua vida, de sua história. Se não tivesse conseguido acesso às salas, ele teria encontrado outra forma de colocar seu plano, de matar crianças inocentes, em prática. Não há esquema de segurança capaz de prever a ação de uma pessoa com a mente doentia.

O que aconteceu na Escola Tasso da Silveira foi uma tragédia, provocada por um rapaz que, durante sua vida escolar e profissional, deu todos os sinais de insanidade mental e nunca foi tratado. A sociedade é dura a ponto de excluir de seu convívio pessoas estranhas ao ninho. Em vez de tratá-las, se afasta. Não se trata de um caso de segurança pública, mas de saúde mental. A mente doentia pode ser a de um aluno, a de um professor, a de um funcionário, de um colega de trabalho, imprevisível. Em qualquer lugar do mundo não se identifica doenças mentais com tanta facilidade quanto se detecta outros tipos de doenças mais recorrentes.

O caso de Realengo é similar à tragédia de Columbine, nos Estados Unidos, e a outros massacres em escolas mundo afora. Aqui no Brasil, esse ato monstruoso era, até então, inédito. Tínhamos até vivido casos isolados como o do rapaz que entrou atirando e matando pessoas num cinema de São Paulo e o recente assassinato de uma jovem pelo vigia da escola onde estudava, em Campo Grande, no Rio. Sistemas operacionais eficientes e modernos conseguiriam, no máximo, minimizar as ações dessas pessoas, não impedir.

É claro que os governos devem cuidar da segurança pública e dos espaços públicos. Também apoio iniciativas de controle de entrada de armas no estado. Tudo o que for feito nesse sentido, terá o meu apoio. Mas assassinos doentios sempre vão agir de surpresa, como esse que atacou crianças inocentes numa tradicional escola da zona oeste carioca.

É essa desconhecida mente humana que tem que ser desvendada ou, pelo menos, tratada para que outros doentes não repitam o mesmo ato de Wellington. E que essa dor sofrida por todos nós não se estenda a mais famílias.

Rafael Picciani é deputado estadual pelo PMDB e presidente a Comissão de Constituição e Justiça da Alerj.

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Responses

  1. Bom artigo

    parabéns ao deputado Rafael
    abraços


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