Publicado por: JotaAntunes | 29 julho 2011

VALE A PENA LER DE NOVO-O golpe do guru – Ele se apresentou como “o homem mais culto do planeta”


Fonte: revista VEJA

Qualquer pessoa em seu estado normal cairia na risada ao ouvir o pernambucano Alexandre Selva falar sobre a própria vida – nesta e em outras encarnações. Auto-intitulado “o maior intelectual do mundo”, Selva jura de pés juntos que fala 33 idiomas e 72 dialetos. Sapientíssimo, já recebeu 107 títulos de doutor honoris causa em universidades mundo afora e foi indicado não uma, nem duas, mas três vezes para o Prêmio Nobel. Filosofia? Sabe tudo. Teologia? Domina como ninguém. Medicina? Cura de frente, de costas, de olhos fechados e a distância, pelo simples poder da mente. Um fenômeno – tanto que já amealhou, pelas próprias contas, 1 milhão de seguidores neste planeta. Dotado, segundo afirma, de sete vidas, emprestou o nome de uma de suas reencarnações: o poeta persa Omar Khayyam, que viveu no século XI. “Se Allan Kardec pode ter outro nome, por que eu não posso também?”, indaga o Omar Khayam (com um y só) tupiniquim. Pois não é que com esse currículo de personagem de programa humorístico Selva conseguiu enganar um bocado de gente? Nos últimos meses, proferiu palestra na reputadíssima Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e foi entrevistado – a sério, reitere-se – em sites da internet, revistas e talk shows (só no de Jô Soares, esteve duas vezes). A estupenda picaretagem ia de vento em popa até o jornalista José Nêumanne desmascarar a farsa na semana passada: Omar Khayam, alegados 99 anos (na verdade, 62), é guru de araque, conhecido no Nordeste, onde, no passado, andou preso por roubo e estelionato. A denúncia chegou bem a tempo de o promotor de eventos Marcelo Dias cancelar o espaço que havia alugado no Parlamento Latino-Americano, em São Paulo, para uma conferência do pseudomestre. “Caí no conto”, justifica-se. “Achei que era coisa séria depois de vê-lo na IstoÉ e no Jô.”

O guru tem passado, sim, mas do tipo que cabe em prontuário policial. Entre os anos 50 e 70, incorporando um certo conde de Água Branca (“o título foi herdado da minha avó, que era baronesa”), enganou incautos pelo Nordeste e acabou preso duas vezes. “No Recife, foi condenado a quatro anos e quatro meses. De lá, foi transferido para o Rio de Janeiro, onde também era procurado”, conta o delegado aposentado Jorge Tasso, que tem documentos sobre o caso. Ressabiado, Selva desapareceu. Sua explicação para o sumiço: “Vivi quinze anos recluso, em meditação. Resolvi sair agora porque o mundo está precisando da minha mensagem de paz e amor”. Com a cara-de-pau dos grandes vigaristas, Selva capricha na fantasia e insiste em que este não foi seu único período de introspecção – em 1959, deixou mulher e três filhos e foi ser monge no Tibete. Hoje diz que vive “de esmolas” dadas pelas pessoas que o procuram em sua chácara, “a 30 quilômetros de Goiânia”, e também no lobby do hotel de luxo em que se hospedou em São Paulo no breve período de celebridade. “Nada peço, mas aceito doações para viver”, explica. Se explora aflitos? “Curo, e curar não é crime.” Fica a suspeita de que algum poder o Omar Khayam nacional há de ter, para enganar tanta gente, em tão pouco tempo, com tão mirabolante história.

Do outro mundo

O espantoso currículo propalado pelo guru

99 anos de idade

107 títulos de doutor

fluência em 33 línguas e 72 dialetos

três indicações ao Prêmio Nobel

poder de cura pela mente

1 milhão de seguidores em todo o mundo

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