Publicado por: JotaAntunes | 21 agosto 2012

Joaquim Barbosa – Embora tenha sido indicado pelo PT, ele não é “companheiro”, mas juiz.



Há um temor generalizado entre os advogados de defesa.

Ele não se livrou de suas origens, de sua ideologia de ex-procurador da República, de acusador, do membro do Ministério Público, alegam estes advogados.

E acrescentam: ele vai pedir a condenação de todo o mundo, temem.

Por duas vezes, bateu boca com Lewandowski, o revisor do processo. Conseguiu dobrá-lo, fatiou o processo, que, segundo analistas jurídicos, facilita sua compreensão e pode fortalecer argumentos de condenação.

Um negro com capa preta que assusta.

Mas, metaforicamente, o que está assustando é o fato dele ocupar a mais importante posição no maior processo contra as elites na história brasileira.

Ele parece, se olhado de outro ângulo, com um vingador do futuro.

Na verdade, os advogados assimilam Barbosa como um descendente de escravos, travestido de juiz, querendo, agora vingança. Esse é o ponto que assusta.

Metaforicamente.

O juiz Barbosa se parece com um cara que está cobrando contas atrasadas, de séculos, alguma coisa assim, pensam os advogados dos réus. Isso os advogados deixaram passar para a mídia.

Soa estranho para determinado tipo de público que o ministro negro esteja falando forte, alto, defendendo-se, impondo sua técnica processual, na mais alta corte judicial do país. O lugar dele não é ali, no plenário, na bancada dos ministros, como julgador de falcatruas, mas na cozinha, na zeladoria, no serviço de cafezinho…

No entanto, ele está ali, num posto elevado, numa contradição que inquieta e atemoriza.

Isto porque com ele não existe pré acordos, jogadas ou passar a mão na cabeça.

É isso que esta provocando esse impacto forte de um ministro de outra etnia liderando um julgamento polêmico e de grande expectativa na sociedade brasileira.

Personagem fora do lugar ?

*Carlos Nobre Cruz
Professor da PUC-RJ

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Responses

  1. Bom texto

    Parabéns

  2. Eu acho o Ministro Joaquim Barbosa um estranho no ninho do STF.Minha impressão é que ele não faz parte da panelinha.Lula, espertamente quis usá-lo com uma cota no STF,mas deve estar muito arrependido, pela independência, profissionalismos e carater do ministro.Com relação aos advogados dos reus,com todo os respeitos a todos os advogados, transcrevo aqui o que li:Direito Penal -Li na Veja,de 04/07/2012,Nº27, pag 68 (sobre Thomaz Bastos) que até marquei:”…Um dos maiores criminalistas que já passaram pelo foro de SP,hoje falecido,costumava dizer que o direito penal oferece apenas 2 opções a um advogado.

    Na 1ª,ele se obriga a só aceitar a defesa de um cliente se estiver honestamente convencido de sua inocência.

    Na 2ª,torna-se coautor de crimes.

    O resto,resumia ele, é apenas filosofia hipócrita para justificar o recebimento de honorários.”

    Simplesmente genial … e pura verdade.Hoje,qdo vejo um advogado defender o indefensável, logo penso que le é coautor do crime. rsrsrsr


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