Publicado por: JotaAntunes | 12 outubro 2012

O Rei Que Decretou Extermínio – Conto Cabalístico


O Rei Que Decretou Extermínio
(sobre os Marranos)

Havia certa vez um Rei. E ele decretou no país um decreto de conversão ou deportação (ou seja), quem quisesse permanecer no país teria que se converter e caso contrário seriam deportados do país. E houve alguns que abandonaram todos os seus bens e suas fortunas e saíram de lá na pobreza para poderem manter-se com sua fé e poderem permanecer sendo judeus. E uma parte deles teve pena por suas posses e lá ficaram. E se tornaram coagidos. Sem darem a perceber (ou seja, obscuramente) eles praticavam a religião judaica. E publicamente (ou seja, abertamente) eles não podiam se comportar como judeus. Mais tarde o Rei faleceu. E o seu filho se tornou Rei.
E começou a dirigir o país com muito rigor e conquistou muitos países e ele era um grande sábio. E porquanto ele lidava muito rigorosamente com os seus ministros eles então se uniram para derrubá-lo e assassiná-lo, ele e todos os seus filhos. E entre os ministros havia um dos coagidos. Ele então refletiu: “Afinal, por que sou eu um coagido, por eu ter tido pena das minhas posses e das minhas fortunas. Agora, se o Rei for assassinado e o país ficar sem um Rei as pessoas vão engolir umas as outras, pois um país não pode ficar sem um Rei”. Por essa razão ele refletiu que ele iria e falaria com o Rei sem que eles soubessem. E foi e contou para o Rei que conspiraram contra ele, conforme mencionado. O Rei foi e tentou provar se isso era verdade e ele viu que era verdade. Ele então colocou guardas. E na noite em que eles o atacaram eles os capturaram. E eles foram julgados cada um segundo o seu julgamento
Então o Rei chamou e disse ao ministro, que era um coagido: “Que honra posso eu te dar por você ter salvo a mim e os meus filhos? Se eu fizer de ti um ministro (ou seja, um lorde), você já é um ministro. Se eu te der dinheiro, você sozinho já tem dinheiro. Diga-me que honra você deseja que eu então certamente te darei”. O coagido então respondeu: “Você fará o que eu te disser?” E o Rei disse: “Sim, eu certamente farei o que você desejar”. E o coagido disse: “Jure para mim pela tua coroa e pelo teu reinado”. E o Rei jurou. E o coagido disse então: “Toda minha honra é que eu possa ser um judeu publicamente (ou seja, abertamente), que eu possa botar o “Talit” e o “Tefilin” publicamente”. Então o Rei ficou muito perturbado, pois em todo seu país não se podia ser judeu. Porém, ele não tinha outra escolha por causa do juramento que ele jurara que faria o que ele desejasse. De manhã o coagido foi e colocou o “Talit” e o “Tefilin” publicamente. Depois o Rei faleceu. E seu filho virou Rei. E o filho começou a dirigir o país de uma forma branda, pois ele tinha visto como tentaram destruir o seu pai, conforme descrito. E ele conquistou muitos países. E era um grande sábio. E o Rei ordenou que chamassem todos os astrólogos para que eles lhe dissessem de que forma seus descendentes poderiam ser exterminados, para que então ele pudesse protegê-los disso. E os astrólogos então lhe disseram que os seus descendentes não seriam destruídos, apenas que ele se protegesse do “boi” e do “carneiro” (ou seja, de um boi e de um carneiro). E escreveram isso no livro das recordações. E o Rei disse aos seus filhos que eles também dirigissem o país como ele, de forma branda. Mais tarde ele faleceu. E seu filho virou Rei. E ele começou a dirigir o país duramente, como seu avô. E conquistou muitos países e lhe passou uma idéia sábia e ordenou de se anunciar que não se encontrasse em seu país nenhum boi e nenhum carneiro para que os seus descendentes não pudessem se extinguir. Então ele pensou que agora ele não tinha medo de nada.
E dirigiu o país muito duramente. E ele era um grande sábio. E o Rei teve a sábia idéia de que ele podia conquistar todo o mundo sem guerras. Pois existem sete partes no mundo, pois o mundo é dividido em sete partes. E existem sete planetas (ou seja, sete estrelas que circulam nos sete dias da semana) e cada estrela ilumina uma das sete partes do mundo. E existem sete tipos de metais (ou seja, ouro, prata, cobre etc…) e cada planeta dos sete planetas ilumina um tipo de metal. O Rei foi e coletou todos os sete tipos de metais e ordenou que lhe trouxessem todos os retratos de ouro de todos os Reis, que eles penduraram nos seus palácios, e fez disso uma pessoa. O rosto era de ouro o corpo de prata e assim os outros membros eram de outros metais. E havia nessa pessoa todos os sete tipos de metais. E ele colocou essa pessoa no alto de uma grande montanha. E todos os sete planetas (ou seja, as sete estrelas) iluminam essa pessoa. E quando alguém precisava de um conselho ou um negócio e não sabia se deveria ou não fazê-lo então ele costumava se colocar contra o membro cujo metal pertencia a parte do mundo que ele habitava, e então a pessoa refletia se deveria fazer aquilo que ele necessitava ou não. Quando era pra ele sim fazer, o membro costumava irradiar luz e brilhar e se não o membro se obscurecia (isso tudo fez o Rei). E através disso ele conquistou todo o mundo e juntou muito dinheiro. Porém a pessoa que ele fizera dos sete tipos de metais não tinha a virtude de fazer isso a menos no caso de o Rei tratar de rebaixar os arrogantes e elevar os humildes (ou seja, os grandes seriam rebaixados de sua grandeza e os pequenos seriam elevados). O Rei foi e enviou comandos para todos os generais e outros ministros que tinham cargos (cargos ministeriais) e privilégios. E eles todos vieram. E ele então os rebaixou e lhes retirou os cargos. Até mesmo aqueles que tinham cargos apenas na época do seu velho avô quando eles então o receberam, ele lhes retirou de todos.
E os pequenos ele os elevou e os colocou nos lugares (dos grandes). Entre os ministros que o Rei rebaixou estava o coagido (mencionado anteriormente). E o Rei lhe perguntou: “Qual o teu privilégio como ministro?” E ele lhe respondeu: “Meu privilégio como ministro é apenas que eu posso ser um judeu publicamente pelo beneficio que eu fiz para o teu avô”. E o Rei então lhe retirou o privilégio. E ele se tornou novamente um coagido. Certa vez o Rei deitou-se para dormir. E ele viu no sonho como o céu estava claro e ele viu todas as doze constelações (ou seja, as estralas no céu estão divididas em doze partes correspondentes aos doze meses. Uma parte das estrelas é como um Carneiro e essa são a constelação do mês de “Nissan” e a constelação do mês de “Iar” é chamada de “Touro”, ou seja, um boi. E assim cada mês tem sua constelação) e ele viu que o Touro e o Carneiro (ou seja, um boi e um carneiro) que estavam entre as constelações riam dele. E ele então acordou muito irritado. E ficou muito temeroso. E ordenou trazer o livro das recordações (ou seja, o livro onde tudo lá está escrito) e ele viu que lá estava escrito que através do touro e do carneiro seus descendentes se exterminariam. E recaiu sobre ele um medo muito grande. E ele contou isso para a Rainha. E recaiu sobre ela e as crianças um grande medo. E o seu coração bateu muito forte E ele chamou todos os interpretadores de sonhos (ou seja, esses que sabem interpretar sonhos) e cada um lhe deu uma interpretação, porém nada lhe entrava nos ouvidos. E recaiu sobre ele um medo muito grande. E veio a ele um sábio e lhe disse que ele tinha recebido do seu pai que existiam 365 tipos de circulações do sol (ou seja, o sol tem 365 caminhos) e existe um local onde todos os 365 caminhos do sol iluminam nesse local. E lá cresce um bastão de bronze. E quem tem um medo, quando ele chega até o bastão ele então se cura do medo (e assim disse o sábio para o Rei). E isso agradou o Rei. E ele foi com sua esposa e seus filhos e todos os seus descendentes até o local.
E o sábio também foi com eles. E no meio do caminho se postou um anjo. E o anjo era o responsável pela ira, pois através da ira cria-se um anjo destruidor (ou seja, um anjo que destrói e arruína) e esse anjo é o responsável por todos os destruidores. E pergunta-se a esse anjo o caminho. Pois existe um, bom caminho para os homens, e existe um caminho repleto de lama e existe um caminho repleto de buracos e assim existem vários caminhos. E existe um caminho que lá tem um fogo que quatro milhas antes desse fogo a pessoa se queima (e eles perguntaram o caminho ao anjo e ele lhes disse o caminho onde lá estava o fogo). E eles foram (ou seja, o Rei com todos os seus descendentes e o sábio). E o sábio ficou o tempo todo observando à sua frente para ver se o fogo estava lá, pois ele tinha recebido do seu pai que lá existia esse fogo. Nesse ínterim, ele viu o fogo e viu que lá caminhavam sobre o fogo Reis e judeus vestidos de “Talit” e “Tefilin”. Então o sábio disse ao Rei: “Eu tenho uma tradição que quatro milhas antes do fogo a pessoa se queima, portanto eu não quero ir adiante. Você, se quiser, vá”. E o Rei pensou que como ele vira que outros reis caminhavam lá sobre o fogo ele também poderia ir lá. E o sábio lhe disse: “Eu tenho uma tradição do meu pai e por isso não posso ir, você se você desejar vá”. E o Rei foi com todos os seus descendentes. E o fogo os pegou. E ele se queimou com todos os seus descendentes. E eles todos se exterminaram.
Assim que o sábio retornou à sua casa, os ministros estavam surpreendidos que o Rei tivesse sido eliminado com os seus descendentes. Afinal ele tinha se cuidado do boi e do carneiro. Como foi então que os seus descendentes se exterminaram com ele? Então o coagido lhes disse: “Através de mim ele se exterminou, pois os astrólogos viram (que através de um boi e de um carneiro os seus descendentes se exterminariam), porém eles não sabiam o que viam. Pois os bois fazem de sua pele o “Tefilin”. E os carneiros fazem de sua lã o “Tzitzit” para o “Talit”. E através deles o Rei se exterminou com os seus descendentes. Pois os Reis que tinham judeus morando em seus países e que vestiam “Talit” e “Tefilin”, por causa deles os Reis conseguiam caminhar sobre o fogo e nada lhes feria. Porém o Rei, porquanto nenhum judeu que colocasse o “Talit” e o “Tefilin” podia residir em seu país, por causa disso ele foi exterminado com os seus descendentes. E por isso o Touro e o Carneiro das constelações riam dele. Pois os astrólogos viram que através do boi e do carneiro seus descendentes se exterminariam, porém eles não sabiam o que eles viram.
E assim o Rei foi destruído com os seus descendentes. Amém, que assim se destruam todos os Seus inimigos, Senhor.

Esse conto está insinuado no Salmo 2

Marranos
De modo errado, difundiu-se a ideia de que o termo marrano, que em espanhol hoje significa “porco”, demonstrava o sentido ofensivo do termo na sua origem, e que se espalhou pela Península Ibérica para designar os judeus. No entanto, as investigações científicas mais recentes (2009) da Etnologia e da Linguística demonstram que o termo “marrano” provêm do hebraico ‘convertido à força'( mar anuss), tendo sido adotado, pelas comunidade judaicas da Europa, ao longo dos tempos, para se referirem aos judeus ibéricos dos séculos XVI, XVII e XVIII que foram obrigados a converter-se ao Catolicismo Romano, pela Inquisição, Tribunal do Santo Ofício.
Se todos os Marranos eram Cristão-novos, o oposto não é necessariamente verdade: nem todos os Cristãos-novos eram marranos, pois o termo cristão-novo incluía também os muçulmanos que tinham sido convertidos.

TORAH E MITZVOT É AÇÃO!

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