Causou profunda comoção na sociedade paraibana e na sociedade pernambucana a notícia da morte do médico gastroenterologista Waldir Pedrosa de Amorim, que suicidou-se domingo, pulando de um edifício no Cabo Branco, em João Pessoa, onde residia. Considerado um dos mais conceituados e abalizados especialistas em gastro, casado e pai de filhos recém-formados em Medicina, Waldir Pedrosa era natural de Pernambuco mas atuou como professor adjunto de gastroenterologia na Universidade Federal da Paraíba, bem como na pesquisa, incentivo e especialização em hematologia. Pessoas próximas ao médico revelaram que ele se encontrava em quadro depressivo. A notícia foi divulgada pela colunista Hélia Botelho em seu site na internet, destacando o pesar de segmentos da sociedade com o infausto acontecimento.
Waldir Pedrosa de Amorim deixou, também, livros de poesia publicados, versando sobre a vida e o amor, com títulos como “O Avesso da Pele”, bem como “Poemas e Solilóquios”. A família não divulgou maiores informações ou esclarecimentos a respeito da morte de Waldir Pedrosa, mas várias pessoas que conviveram com ele externaram condolências em manifestações nas redes sociais, destacando a sua abnegação e dedicação ao sacerdócio da medicina, bem como ao aprofundamento de pesquisas na especialidade a que se dedicava.
Nonato Guedes

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No último domingo o médico e ex-professor universitário, Waldir Pedrosa Amorim de 68 anos faleceu ao cair do prédio em que vivia no bairro do Cabo Branco, em João Pessoa. Antes de falecer Waldir escreveu uma carta direcionada à delegada do idoso onde pedia uma maior atenção à casos envolvendo homens idosos e relatava toda sua experiência recente. Na carta é possível ver que o médico se encontrava atormentado pelo problema passava e incomodado com tratamento que vinha recebendo da justiça. Em alguns trechos de sua carta Waldir se descreve como um homem frágil, leia a carta completa abaixo:
Dra. MM. Vera Delegada do Idoso, defendam o idoso e filtrem a Delegacia da Mulher, que recebe casos sem filtro de toda a parte feminina. Sou vítima de um destes, minha consciência e rigidez, me fará pagar com a vida, com minha consciência, e com a idoneidade que sempre tive, assumi, adjunto ao profissionalismo diante da comunidade de toda a Paraíba e do Brasil. Foram longos anos de probidade e um legado humano e médico em favor dos meus clientes de qualquer parte.
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Tive filhos, ex-esposa e agregados em favor da ética . Esta TRADUZ-SE , nos meus filhos, ex-esposa e agregados.Nunca visamos o lucro de qualquer espécie, senão, tratar o ser humano como tal, com proficiência e integridade. Vejo-me diante de um quadro Kafkiano, as 1ªs prerrogativas de agressão à mulher, são falhas, no sentido de que; não agredi, defendi-me o quão levemente de uma ação coercitiva, da mulher Tatianne Mendes Lomonaco, com a qual tivera um relacionamento amoroso, fugaz, pois havia terminado.
Esta Tatianne que não desejava considerar-me namorado, mas, marido, união estável, o que lá lhe aprouvesse, desde o início . Não percebi a artimanha a bom tempo; senão, com o passar das rusgas e da minha fragilidade. Sim, nós homens, e especialmente idosos, somos frágeis e vulneráveis. Minha 1ª atitude frente a encher-me de “bens que não eram meus comuns ”foi devolver-lhe através de meu filho.
Passei por muitas provas confusas na relação. A 1ª foi de pensá-la como uma mulher desequilibrada, e constatar com sua dita psicoterapeuta, e esta dizer que há mais de um ano, não era sua terapeuta. Médicos preferem às vezes compreender situações antes de julga-las. Pensei na sua relação com um pai alcoolista e sua fixação em mim como indivíduo idealizado, por ter-me conhecido, sem que a percebesse, como o médico do seu ex-sogro, nominado e notável médico gineco-obstetra.
Foram-se anos, em que me assediava no consultório ou, através do aplicativo Messenger e outras incursões como; dizer que gostava de cravo (música renascentista) e deixar-me um DVD do filme Amadeus, sobre Mozart. Culminou com ir ao meu consultório e pedir-me para fazer sexo consigo no próprio consultório. Na minha vida de clinico, nunca assenti ceder ao assédio de pacientes e congeneres. Para mim uma questão ética.Mesmo ela, nunca havido sido minha paciente, mas, ex-esposa de um aluno meu, a quem o pai fora meu paciente numa difícil situação. Os assédios eletrônicos não pararam. Num determinado ano e dia de rompimento de minha relação conjugal, assenti em encontrar-me com ela num motel. Daí em diante, minha vida transtornou-se, com esta querendo considerar-se minha mulher.

Enchendo meu kit-net de roupas e utensílios. e eu os devolvendo como já referi. Me aprontou todas. Escândalos, quebra de objetos de arte, quebra de meu computador iMac, enterrar minhas chaves do carro num vaso de plantas, entre outras agressões verbais e físicas. Minha fragilidade humana, me fez suportar denúncias descabidas na delegacia da mulher, quando de fato, ela era o agente coator e provocador. Valendo-se de possuir tez muito branca e sensível a hematomas, me processou e fez análise de corpo de delito, como sendo eu o provocador e, vejam, alguns dias após o supostamente acontecido.
Nesta segunda vez (agora), graciosamente, ligou para a delegacia e fomos conduzidos à delegacia da mulher sem que qualquer fato ocorresse de minha parte – fato presenciado pelos policiais civis e por minha diarista: Cláudiana Firrmino da Silva, arrolada por mim como testemunha, mesmo sendo uma pessoa por ela indicada para o este ofício.
O que antes houvera de anormal fora discutir sobre um pacto pré- nupcial por escrito, já que falava mundos e fundos da sua riqueza e eu acostava-me em minha condição de aposentado, trabalhando dignamente para sobreviver, no único ofício que bem desempenho que é a medicina clínica.
Desde que a Delegacia da Mulher em seus legítimos preceitos, me impôs afastar-me do apartamento que aluguei e pago com meus parcos vencimentos, não comuniquei-me com a Tatianne; ao contrário venho recebendo constantes chamadas telefônicas e por WhatsApp. Venho recebendo mensagens provocativas de cunho sexual e outros. Acho-me no mínimo constrangido e desrespeitado, vítima de um golpe de uma mulher específica, contra o ser humano e idoso que sou, sem nunca haver tido um olhar e prática discriminativa contra a mulher, ou quem quer que seja em toda a minha vida.
Tenho 68 anos e farei 69 em novembro com muito orgulho, de ser uma pessoa pacata, sem antecedentes criminais e devotada em meu ofício de médico e professor de medicina, e especialmente aos meus clientes públicos ou privados, ao ser humano em sua integralidade.
Considero-me vítima de um golpe, que atenta contra a dignidade humana. Compareci a todos os julgamentos oriundos da primeira intimação.
Resisto e acuso a pessoa de Tatianne Mendes Lomonaco, por apossar-se de meus bens e moradia para tal fins, numa atitude peremptória de tirar proveito pessoal.
Minha vida não me pertence, mas, a responsabilizo diante de tudo o que desta restar, em termos de coerção, provocação e atos moral e psicologicamente ilícitos contra a minha pessoa.
Assim como, responsabilizo sua família, conivente com o mal-estar social que os seus agressores provocam em seus ditos e acatados “descontroles pessoais”. Mante-los distante ou a mercê de alguém, é além de um ato de desamor de irresponsabilidade. Tatianne Mendes Lomonaco, justificou-me as últimas agressões que me fez, por encontrar-se drogada.
Toda a sua família é consciente do fato e da pessoa que ela representa no plano psico-familiar e social.
Sua mãe e sua cunhada estiveram no meu apartamento e não são inocentes quanto a condição de Tatianne Mendes Lomonaco. Eu certamente fui o último a ter consciência e a iludir-me em ajudá-la. Talvez hoje eu perca a vida, mas que outros não a percam em suas fragilidades.
Waldir Pedrosa Dias de Amorim, João Pessoa 18/06/2017
OBS. Um parente da senhora Tatianne Mendes Loconaco entrou em contato com a reportagem do Polêmica Paraíba para adiantar que ela vai emitir uma nota rebatendo inverdades ditas pelo falecido em sua carta.
Fonte: Polêmica Paraíba e osguedes
Créditos: nonato guedes



Membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e palestrante nos mais importantes eventos do setor, a Dra. Lêda Villas Bôas formou-se na Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, onde nasceu. Com especialização em Clínica Médica, a Dra. Lêda iniciou sua vida profissional na usina de cana-de-açúcar União Indústria, no município de Escada, a 63 km do Recife. Lá, ela estruturou o sistema de atendimento aos operários com base nas normas de Higiene e Medicina do Trabalho. Foi o primeiro dos muitos desafios da sua carreira.

SAÚDE PÚBLICA
O desafio seguinte da Dra. Lêda foi coordenar o programa de imunização contra a poliomelite na época em que era assistente do Secretário de Saúde de Pernambuco. Seu trabalho chamou a atenção da Fundação Serviços de Saúde Pública, que a convidou para coordenar um centro de treinamentos para médicos no Rio.

Publicado por: JotaAntunes | 1 fevereiro 2017

Clínica Dra. Lêda Villas Bôas


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Publicado por: JotaAntunes | 9 janeiro 2017

CARNAVAL 2017 Dra Leda Villas Boas indica >


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Publicado por: JotaAntunes | 24 novembro 2016

Dra. Lêda Villas Bôas INDICA II -Tratamento para mãos envelhecidas .


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Publicado por: JotaAntunes | 24 novembro 2016

Dra. Lêda Villas Bôas Indica :Para o verão 2016/1017


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APRESENTAÇÃO Um dia eu ouvi D. Maria José Elias, esposa do Rev. Antônio Elias, dizer que ela fazia parte da geração que nunca comeu peito de frango, pois quando ela era criança, o peito de frango era para adultos e, quando ela se tornou adulta, o peito de frango era das crianças. Gerações passam, culturas se desenvolvem, comportamentos mudam, mas há coisas que ultrapassam a barreira dos anos, dos séculos e dos milênios. Há verdades da alma humana que não têm época, porquanto não têm a ver com o tempo, mas com o que cada um de nós é. O Drama de Absalão, se contado com outros nomes e outras referências, poderia muito bem ser um roteiro de novela de horário nobre ou ainda ser manchete sensacionalista de jornais e de telejornais, além de servir de matéria para revistas nacionais e internacionais, tais como aquelas que exploram os escândalos da Monarquia Britânica. Até porque O Drama de Absalão foi um fato real. Acredito que, durante a leitura deste booklet, muitos irão se identificar com situações semelhantes presentes em suas casas, em suas vidas. Este texto foi extraído de uma mensagem do Rev. Caio, na convenção da Adhonep, em 1993. Até ouvi-la, eu nunca tinha pensado do ponto de vista de Absalão. Fiquei impressionada com a contextualidade deste episódio e de como ele se aplica às crises familiares desta última década do século XX. A mensagem foi transcrita e transformada neste booklet que hoje oferecemos a você, através do qual esperamos que, em nome de Jesus, as maldições familiares sejam quebradas na sua vida e que O Drama de Absalão não se repita jamais em sua família. Boa leitura

INTRODUÇÃO Nos últimos anos, tem-se falado muito, em nosso meio, sobre quebra de maldições, sobretudo quebra de maldição dos antepassados: pactos, convênios, vínculos que nossos avós, bisavós, pais ou aqueles que nos criaram, ou aqueles que formularam a cultura da nossa família e da nossa casa firmaram, os quais geraram e gestaram a ambiência familiar em função da qual somos criados. Certamente, esses pactos, muitas vezes, estão impregnados de cargas malignas, de informações malignas, de espíritos malignos e de compreensões malignas das quais precisamos ver-nos livres. São cargas que, às vezes, nos acompanham a mente, que se enraízam até em nosso subconsciente, as quais são responsáveis pelos estímulos e pelas respostas erradas que damos à vida e também por outras coisas que tantas vezes costumam nos acompanhar sem que percebamos. Acredito que há aspectos seríssimos dessa preocupação relacionados ao desejo de nos vermos livres de todas essas cargas e condicionamentos malignos, de toda cultura e influência demoníacas vindas do passado, que traspassam nossas famílias. Precisamos discernir essas coisas para nos ver livres delas. Eu me preocupo, todavia, com o fato de que não tem havido a mesma preocupação nem a mesma atenção em relação àquelas que não são as maldições do ontem, àquelas que não são as maldições do passado, as quais não têm nada a ver com o vovô, com a vovó, com o tio, com o pai ou com a mãe. Refiro-me, porém, às maldições de hoje. Aquelas que têm a ver com você; que não têm a ver com a cultura dos seus antepassados, mas com a cultura que você está criando dentro de casa; que têm a ver com a sua total responsabilidade; aquelas que repousam exclusivamente sobre os seus ombros. Você é a pessoa absolutamente responsável por discerni-las, por percebê-las e por impedir que elas cresçam, espalhem-e e se enraízem dentro da sua própria vida. Neste sentido, eu acredito que Davi e seu filho Absalão constituem o melhor e o mais trágico exemplo de um pai e de um filho que não conseguiram, a seu tempo e na hora apropriada, discernir algo extremamente maligno que começava a crescer entre eles: raízes de morte, de amargura, de ódio, de destruição, as quais haveriam de abalar radicalmente suas vidas e infelicitá-los para sempre. Em Malaquias 4:6, lemos o seguinte: Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição . Este texto nos fala que é condição absolutamente imprescindível para que maldições nã família sejam cancelas não apenas que você ore repreendendo-as; não apenas que você discirna o que houve no passado. No entanto, diz-nos a palavra de Deus que é absolutamente importante, quanto ao cancelamento dessas maldições, que o coração do pai se converta ao seu filho; que o coração do filho se converta a seu pai; que o coração do marido se converta a mulher; que o coração da mulher se converta ao marido; que o coração da mãe se converta à filha; que o coração da filha se converta à mãe. Se não houver essa quebra de ódios, de amargura, gerando, por conseguinte, reconciliação, encontro, abraço, choro, perdão, expiação; se a cruz de Cristo não for erguida no meio, no centro dos seus vínculos familiares mais íntimo mais profundos; se a cruz não for erguida na sua sala, no seu quarto, na sua cozinha ou dentro do armário de seus filhos; se a cruz não for erguida nas gavetas íntimas, fechadas, lacradas, enclausuradas, cheias de amarguras guardadas; se a cruz, enfim, não for erguida dentro de sua casa, esteja certo de que você será ferido com maldição: maldição do ódio, que traz destruições que minam a vida e arruínam a existência de qualquer pessoa. Eu quero convidar você a olhar comigo a vida de Davi e a vida de Absalão, a partir do capítulo 13 de II Samuel até o capítulo 18 deste mesmo livro.

BOAS INTENÇÕES NÃO SÃO SUFICIENTES PARA EVITAR A MALDIÇÃO FAMILIAR Inicialmente, deve-se considerar que Davi era um homem de ação como muitos de nós, homens e mulheres do século XX: gente que decide, gente que negocia, gente que toma decisões com praticidade; gente que não tem tempo a perder, gente ocupada, que administra muitas coisas a um só tempo. Davi era assim. Ele tinha um reino para administrar. A sua vida era ocupadíssima, porquanto era um homem de ação, de lutas, de decisões, de desafios, de muitas emoções e de muito estresse. Quando se lê o livro de Salmos, especialmente aqueles compostos por Davi, descobre-se o quão estressado ele era. Você que me lê sabe exatamente do que estamos tratando, uma vez que há muitas pessoas que nos cercam que passam pela via estreita de uma existência ocupada, cheia de ações e de emoções. Talvez, você mesmo, neste momento, está se identificando com uma delas ou __ quem sabe? __ com Davi, este personagem tão longínquo temporalmente, mas tão próximo de nós existencialmente. Além disso, Davi era um pai muito bem intencionado. Impressionam-me as boas intenções dele como pai. Pode-se discerni-las através de alguns nomes que ele colocou nos seus filhos, isto porque, na antigüidade, os nomes eram mais dotados de significado do que hoje em dia. Naquele tempo, o nome revelava muito as intenções e as expectativas que os pais tinham em relação aos filhos; os nomes não eram apenas escolhidos por estarem na moda ou por, sonoramente, produzirem um efeito agradável. Davi esperava muitas coisas boas de seus filhos, e ele as traduz por meio dos nomes que lhes dá, senão, vejamos: __ ADONIAS __ aquele que pertence a Adonai, ao Senhor . Note que ele tem um filho e diz por meio do nome que lhe dá: Este é de Deus! __ SALOMÃO __ que significa pacífico . __ ABSALÃO ou ABSHALOM __ que significa o pai da paz . Imagine, por exemplo, o que Davi tinha em mente quando, vendo o pequeno neném, chamou-o de Abshalom. Quanta esperança de que muitas realizações aconteçam na vida daquela criança e por meio dela! Quem sabe Davi imaginou que Absalão poderia vir a ser seu sucessor, o pacificador do país, o agregador de Israel, o homem forte no qual a graça e a unção de Deus repousariam?… Ninguém põe um nome assim num filho imaginando que, um dia, esse mesmo filho irá traí-lo, gerando um golpe de estado, a fim de destronar o próprio pai do poder; ninguém põe um nome assim num filho sabendo que este filho trará vergonha nacional e a desgraça ao seu pai. Meus filhos foram nascendo, e minha mulher e eu fomos colocando-lhes nomes que traduziam esperança: __ CIRO __ que significa o libertador . __ DAVI __ que significa aquele a quem Deus ama . __ LUKAS __ não tem um significado, mas uma história de amor a Deus e ao próximo: servo de Deus e médico, que escreveu a história dos Atos dos Apóstolos. __ JULIANA __ a filha da graça . Quem são seus filhos?! Davi gerou filhos e sonhou o melhor para eles e os colocou diante de Deus com o melhor das suas expectativas. Agora, em nome de Jesus, preste atenção a isso: conquanto Davi fosse um pai que sonhasse com o bem dos filhos, ele, no entanto, não era capaz de transformar suas boas intenções em investimento de vida na existência dos filhos. Sonhou o melhor sonho, desejou o melhor desejo, porém não foi capaz de investir vida na vida dos filhos. Por quê? Talvez porque estivesse ocupado demais. Do ponto de vista humano, muitas coisas poderiam justificá-lo: tanta gente, tanta demanda, tantas solicitações, tantos requerimentos que dependiam de sua aprovação e atenção… Talvez porque tivesse filhos demais. Como dar atenção a todos? Como separar tempo para todos? Como ouvir queixa de todos? Como brincar com todos? Ninguém consegue ser pai para cinqüenta filhos, nem para trinta e nem para os mais de vinte que Davi teve com suas mulheres e concubinas (II Samuel 3:2-5; 5: 13-16). Talvez porque estivesse ausente demais. Talvez porque seus filhos só o encontrassem em ocasiões ou eventos importantes. Talvez porque não houvesse vida, convívio, intimidade entre eles. Talvez porque tudo que houvesse entre eles fosse aquela reverência, aquele respeito tremendo, mas que nunca ia além disso; que nunca se transformou em segredo, em cochicho, em brincadeira no campo, em banalidade, em presença simples, desguarnecida, aberta, despretensiosa, apenas presença para estar junto, para ser. Não adianta você ter os sonhos que tem, nem apenas fazer as orações que faz, nem apenas guardar e juntar dinheiro para o bem de seus filhos. Absalão tinha dinheiro, castelo, casas, prestígio. Absalão era bonito, e a Bíblia nos diz (II Samuel 14:25) que ele era o homem mais bonito daquela geração: fascinante, charmoso, porte bonito, cabelo bonito. A propósito desta última característica, Absalão tinha um cabelo invejável. Naquela época, era costume untar óleo sobre os cabelos com pó de ouro, para brilharem ao sol e, vaidoso como era, Absalão certamente utilizava muito desse recurso estético, de modo que, a cada ano, quando cortava o cabelo, segundo o costume da época, este tinha um peso e valor considerável. Absalão tinha tudo! Mas, só o que ele queria era um pai. Não era um rei que Absalão queria, mas um pai. Não era um homem poderoso de que Absalão precisava, mas de um pai. Não era de um general invencível de que Absalão carecia, mas de um pai. Não era de um homem que resolvia os problemas do mundo de que Absalão necessitava, mas de um pai que fosse capaz de ouvir uma angústia do filho. Talvez você nunca tenha parado para pensar n O Drama de Absalão, mas preste atenção a esta história, pois ela reflete a realidade das muitas relações familiares e pode ter a ver com você e sua família.

A HISTÓRIA DE DAVI E ABSALÃO As principais áreas de fraqueza de Davi são claramente percebidas na sua relação com seus filhos. Conquanto fosse um homem de oração e cheio de boas intenções, ele era fraco na condução de sua casa. Davi se caracterizava por ser um pai omisso, e será a omissão a porta de entrada da desgraça na vida deste grande homem e de seu filho Absalão. Isto porque a tragédia começa a se configurar, a se desenhar, a se delinear, no dia em que Amnom, um dos filhos de Davi e seu primogênito, apaixona-se por uma de suas irmãs (II Samuel 13:1-14) por parte de pai, a qual é irmã de Absalão, filho de Davi com Maaca (II Samuel 3:3), uma estrangeira procedente de Gesur. Diz-nos a Bíblia que aquela moça, cujo nome era Tamar, era muito bonita, graciosa, formosa e encantadora (II Samuel 13:1) e que Amnom, um dia, pôs os olhos sobre ela e viu-a não como irmã, porém como uma mulher (II Samuel 13:2 e 3). Ele a cobiçou e a desejou tão ardentemente que concebeu um plano: a fim de possuí-la, fingiu-se de doente __ a conselho de um amigo (II Samuel 13:5) __ e pediu a Davi, seu pai, que ela __ Tamar __ lhe fosse servir comida, uma vez que esteva num leito de enfermidade (II Samuel 13:6). O pai assim o permitiu (II Samuel 13:7). Tamar foi até a casa do irmão, Amnom pula do leito, avança contra ela, estuprando-a, possuindo-a e humilhando-a (II Samuel 13:11-14). Depois, Amnom sente náuseas, sente asco. Diz-nos a Bíblia que o repúdio que ele sentiu por Tamar, após possuí-la, foi mais forte que o desejo de um dia tê-la (II Samuel 13:15). A corte ficou sabendo do escândalo. O país ficou sabendo do escândalo. O rei ficou sabendo do escândalo, mas não fez nada. Absalão, irmão de Tamar, esperou que o pai fizesse alguma coisa, uma vez que, conforme Levítico 18:9 e 29, tal ato teria, como penalidade necessária, a morte de quem o praticou. Mas Davi nada fez. Então, Absalão a chamou para morar consigo (II Samuel 13:20). A irmã morou com ele por dois anos, durante os quais ele esperou, dia após dia, que o pai chamasse a filha para um beijo, um abraço, um aconchego e que o pai chamasse Amnom para uma confrontação. Porém, nada disso foi feito. Para além de tudo isso, havia ainda uma agravante: Amnom era o primogênito do rei e, por conseguinte, o futuro herdeiro do trono, fato este que se tornava um fator complicador de toda aquela situação. Depois de dois anos, Absalão não agüentou mais esperar. O diabo encheu-lhe o coração de ódio. Ele começou a planejar a morte do irmão (II Samuel 13:23-27). Por ocasião da festa da tosquia, Absalão procura o pai e lhe diz: Eu queria que tu permitisses que meu irmão Amnom fosse ao campo caçar comigo. Davi, sabendo que havia algo de muito maligno naquilo tudo, respondeu-lhe: Mas por que, meu filho? Por que apenas Amnom? Por que tu não levas a todos os teus irmãos juntos para essa caçada? Absalão atende o pedido do pai e leva todos os irmãos. Chegando lá, Absalão dá ordens a seus servos para que matem a Amnom, quando este estivesse bêbado, a fim de não oferecer resistência alguma. Assim é feito. Note que Amnom estava tão seguro de que nada lhe iria acontecer, que nem ao menos desconfiou do irmão. Para ele __ Amnom __ se o rei, seu pai não lhe havia feito nada com relação ao incidente ocorrido entre ele e sua irmã Tamar, ninguém mais poderia fazê-lo. O rei Davi se enfurece, fica cheio de ódio. Absalão foge, indo morar na casa de Talmai, seu avô (II Samuel 13: 37; 3:3), pai de sua mãe, em um reino vizinho, e lá fica durante três anos (II Samuel 13:38), durante os quais nada é feito. Davi não chama o filho, não encara o filho, não confronta o filho, não trata do problema. Absalão manda um recado através de Joabe, um alto assessor do pai, dizendo: Assim não dá! Davi manda chamar o filho para que volte a Jerusalém. Este vai morar a dois quilômetros da casa do pai (II Samuel 14:21-24). Passam a ser vizinhos, mas outra vez dois anos passam, e Davi não manda chamar o filho. Depois desses dois anos, Absalão não agüenta mais, chama Joabe e lhe diz: Diga ao rei que me mate, mas que me veja! Davi, ao saber disso, ordena: Chamem o garoto. Logo em seguida, vem o rapaz. Todos esperam que Davi o sacuda e lhe diga: O que foi que houve? Você é meu filho, é minha carne! Como é que você faz isso, filho?! Entretanto, nada disso acontece. Absalão entra e Davi simplesmente lhe diz que se aproxime, lhe beija o rosto e não diz nada (II Samuel 13:33). Um estupro, uma morte, ódio, amargura, crise e Davi pensa que pode resolver isso tudo com um beijinho. A palavra de Deus nos diz, no início do capítulo 15 de II Samuel, que dessa ocasião em diante, após falar com o rei, Absalão sai do palácio, vai para as ruas e inicia uma subversão (II Samuel 15:1-6). Começa a dizer: Não há justiça na terra! Não há rei reinando! Não há critérios pelos quais esse povo venha a ser julgado! O que está prevalecendo é apenas a emocionalidade do rei. Se eu fosse rei, haveria justiça na terra. Absalão prepara uma revolta armada. Ele é declarado rei sobre Hebrom (II Samuel 15:10-13). Aproxima-se de Jerusalém para cercá-la e tomá-la. Davi é aconselhado a fugir com seus súditos, indo para o deserto, porém deixando alguns de seus homens de confiança, a fim de se infiltrarem na corte de Absalão e lhe darem algum conselho desastroso, de modo que, numa possível batalha, seus exércitos pudessem ser destruídos. O que acontece. Absalão, então, bate em retirada, fugindo por entre os bosques. A ordem de Davi, o rei, era a seguinte: Fazei qualquer coisa, mas não tocai no moço Absalão. Poupai o jovem Absalão. Joabe, porém, não suportava mais. Ele estava cheio de ódio pelo filho do rei. E quando da fuga de Absalão por entre os bosques, seus cabelos longos ficam presos por arbustos, ele se desprende do seu cavalo, ficando pendurado pela cabeça. Joabe, descobrindo-lhe o paradeiro, aproxima-se de Absalão e o executa (II Samuel 18:19 e 14). A insurreição é vencida, a vitória é comemorada e Davi está novamente no poder. As notícias da guerra chegam ao rei. E este pergunta: Como passa o jovem Absalão? Alguém lhe responde: Ele foi ferido… e… está morto! A Bíblia nos diz (II Samuel 18:33) que Davi rasga as suas roupas, cai por terra e lamenta, e grunhe, e geme: Abshalom, meu filho Abshalom!… Abshalom!… Abshalom!… Meu filho, Abshalom!… O tempo de dizer meu filho havia acabado: Absalão estava morto e a tragédia consumada. Pode-se perceber, nesse episódio, o desespero de Davi. Ele jamais desejaria que as coisas tivessem tomado aquele rumo; seus sonhos desmoronaram, sem mais nenhuma esperança de reconstrução. Meu filho, minha filha, eu estou aqui, volte para casa. Estou de braços abertos, esperando-o. Quero ser seu amigo; quero ajudá-lo; quero perdoá-lo e quero lhe pedir perdão. Às vezes, agimos como Davi: só exteriorizamos estes sentimentos e palavras quando já é tarde demais. Este Davi __ descrito até aqui __ não é alguém a quem eu queria imitar. Ele tem o coração segundo o coração de Deus? Tem, porque é capaz de dar respostas de quebrantamento a Deus nos momentos apropriados. Mas, conquanto tenha um coração segundo o coração de Deus, ele não consegue transformar essa intimidade com Deus, depois de um dado momento na sua vida, num projeto de vida sadio que abençoe toda a sua casa.

O QUE PODEMOS APRENDER COM O DRAMA DE ABSALÃO Em primeiro lugar, aprendemos que Davi transferia, sempre, responsabilidades instransferíveis. Isto é algo interessante, que acontece com homens e mulheres ocupados, diuturnamente, com suas atividades profissionais. Homens e mulheres que estão acostumados a assumir responsabilidades. Homens e mulheres muito ocupados do lado de fora de casa acabam, sutilmente, transferindo responsabilidades intransferíveis para outros, dentro de casa. Primeiramente, Davi transferiu a responsabilidade de apaziguar o coração de Absalão para os filhos: Pai, deixa eu levar Amnom comigo para a caçada , pede Absalão. Não, filho, não. Leve todos os seus irmãos , responde-lhe Davi. A palavra de Deus nos diz que todos em Israel já sabiam do desejo de Absalão de matar Amnom (II Samuel 13:32). Davi sabia; todos sabiam que havia ódio no coração de Absalão. Entretanto, Davi não enfrenta o problema; ele usa os filhos como escudo. Bom, quem sabe se toda a garotada estiver junta, isso não vai acontecer… , poderia pensar Davi. Depois, ele transfere a responsabilidade do tratamento da alma de Absalão para o sogro. Para lá vai Absalão refugiar-se após ter morto o irmão. Fica três anos lá, na casa do avô. Acerca deste período de tempo, a Bíblia nos diz que Davi perseguiu a Absalão (II Samuel 13:39), sem, no entanto, querer realmente encontrá-lo, pois se assim o quisesse, não haveria dificuldades para fazer isso. Davi talvez pensasse que o sogro fosse mudar o coração do neto, porém o próprio sogro não gostava muito dele __ Davi __ , porque sua filha que casara com o rei nunca tivera um espaço na realeza que ele gostaria que ela ocupasse. Absalão caiu nas mãos do avô errado, que encheu-lhe o coração de mais ódio, de mais amargura, de mais antipatia e de mais revolta. Observe: Absalão era o terceiro filho de Davi; Amnom __ o primogênito __ estava morto, e Quileabe (II Samuel 3:3), o segundo filho, era uma figura inexpressiva e que provavelmente já havia morrido, o que se depreende pela ausência de referências mais explícitas a ele na história familiar de Davi. Sendo assim, com a morte deste, Absalão seria o rei e, para Talmai, seu avô, isto se constituiria num bom negócio. Por fim, Davi transfere a responsabilidade para um assessor. É Joabe quem tem que tramar a volta do filho para casa, porque o pai não fazia nada. Curioso e irônico, neste episódio, é que foi Joabe quem ajudou Absalão a voltar do exílio e a se aproximar do pai, como também foi Joabe quem o matou. Minha pergunta a você, em nome de Jesus, é: para quem é que você está transferindo a responsabilidade de administrar a alma de seus filhos? Para o avô? Para o assessor? Para os filhos mais velhos? Para a empregada? Para a escola? Para a Xuxa? Para a Angélica? Para a Escola Dominical? Para o pastor? Para quem? Essa responsabilidade é intransferível. O filho é seu. A filha é sua. A alma deles vai ser cobrada de você. Escola, igreja, orientadores, atividades intelectuais e recreativas são recursos para a educação e a administração do tempo e do desenvolvimento da criança; mas a responsabilidade é sua. De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a alma de seu filho? De que adianta ter um complexo industrial, realização profissional, status , mas ter uma filha desgraçada ou um garoto arruinado em casa? Precisamos aprender a confrontar nossos filhos com a verdade. A segunda lição que aprendemos com Davi é que ele era capaz de vencer gigantes, mas não sabia confrontar os filhos, olhos nos olhos, e dizer: Filho, o que é isso que estou vendo?! Você está sentindo uma atração sexual por sua irmã? É isso que eu estou percebendo, filho?! Ou: O que é isto, filho?! Você está com ódio no coração, querendo matar este seu irmão?! Você está sufocado, empanturrado de desejos malignos! O que é isto, filho? Porém, Davi não conseguia oportunizar tais diálogos, tais confrontações. Eu conheço muitos pais assim. Talvez você que me lê seja um pai assim. Sua esposa sabe que estou falando a verdade. E você mãe, que igualmente lê estas linhas, muitas vezes age de modo semelhante a este. E seus filhos sabem que o que vem sendo descrito até aqui é palavra de Deus para sua vida, pai, para sua vida, mãe, em nome de Jesus. Havia um antigo quadro do Jô Soares em que era mostrado um pai que, diante de comentários feitos sobre o comportamento condenável do filho, para tudo arranjava uma desculpa. E o amigo (Jô), que tentava fazê-lo ver a situação, acabava desistindo e falava: Tem pai que é cego! Creio que não haja pais ou mães cegos; no entanto, há pais e mães que não querem ver, que têm medo de encarar o filho e o problema, que têm medo de confrontar os filhos com a verdade, que têm medo de não saber como conduzir o problema, de como ajudar a solucionar. Eu não tenho receitas para soluções de problemas familiares, mas, em qualquer caso, a omissão não vai resolvê-los, o tempo não vai solucioná-los. Ainda que você não saiba como agir, abra os braços e chore com seu filho, dobre os joelhos e ore por ele, diga que você se preocupa com ele e que jamais vai se omitir, que jamais vai se afastar dele e que jamais vai se conformar com a situação. Davi vencia gigantes, mas não sabia confrontar os filhos olhos nos olhos. Por quê? Talvez cansaço. Mas, talvez, uma outra coisa: quem sabe, culpa? Aquele caso de Davi com Bate-Seba e a morte de seu marido Urias arruinaram-lhe a existência mais do que se pode imaginar. Ele pede perdão ao Senhor, e o Senhor o perdoa. Mas, talvez, Davi nunca se tenha perdoado. Não consigo entender como um homem como ele não consegue olhar nos olhos dos filhos! A não ser que no fundo do seu ser, de sua alma, haja muita culpa. Possivelmente, o diabo, em seus ouvidos, dizia que ele, Davi, não tinha autoridade alguma. Não tinha autoridade para confrontar Absalão. Não tem autoridade para falar nada, depois de tudo que fez. Certamente, Davi ouvia o diabo dizer-lhe ao ouvido: Como você vai falar contra o adultério e a cobiça com Amnom, se você fez as mesmas coisas? Como você vai falar de homicídio com Absalão, se você matou Urias, marido de Bate-Seba? Preste atenção a isto: há pessoas que me lêem, que, como você, já se converteram a um ano, há cinco anos, há dez ou há quinze anos. Quem sabe há vinte ou trinta anos? Algumas, como você, trazem consigo cargas pesadas de culpa passada. Algumas delas, como você talvez, já adulteraram, um dia tiveram amantes, um dia tiveram casos, um dia fizeram o que não deveriam ter feito, um dia deram exemplos terríveis para os de dentro de casa. Mas elas se converteram, tal como você. Você encontrou a Jesus. Você foi perdoado. Você foi lavado no sangue do Cordeiro de modo semelhante àquelas pessoas. Mas talvez o diabo continue lhe dizendo que você não tem autoridade para olhar nos olhos do seu filho, nos olhos da sua filha, nos olhos da sua mulher, nos olhos dos da sua casa, por causa de algum pecado cometido no passado. No entanto, quero lhe dizer, hoje, em nome de Jesus: não aceite essa mentira! Repito: não aceite essa mentira! Seja você, em nome de Jesus, capaz de dizer: Olha, filho, eu pequei, eu adulterei, eu fiz, eu fui. Mas agora sou lavado no sangue do Cordeiro. E estou aqui, como um novo pai, como uma nova mãe, para lhe dizer que não é por aí o caminho! E eu não vou deixar você andar por esse caminho de morte, porque eu não quero lá na frente ficar dizendo como Davi: Abshalom, Abshalom, meu filho, Abshalom! CONSEQÜÊNCIAS DA MALDIÇÃO FAMILIAR Davi fugia de olhar nos olhos dos filhos. Não confrontou Amnom no casso do incesto de Tamar. Foi Absalão que teve de acolher a irmã. Não confrontou Absalão antes deste matar Amnom, quando todos já sabiam que ele ia atentar contra a vida do irmão. Não confrontou Absalão, depois que matou a Amnom. Absalão fugiu, ficou três anos desterrado; voltou para perto do pai; Davi não foi vê-lo, nem o chamou. Não confrontou Absalão, quando este voltou do exílio e foi morar a dois quilômetros da casa do pai. Todavia, Davi não é o único responsável por todo esse drama. Absalão não soube administrar suas crises e abriu uma brecha para Satanás desenvolver, em seu coração, uma bomba de ódio que iria explodir dentro dele, destruindo-o juntamente com a sua família. A MALDIÇÃO DO ÓDIO Sabe o que Satanás gestou, engendrou, engravidou na alma de Absalão? Uma bomba. Uma Bomba O , mais forte do que a Bomba H, mais forte do que a Bomba Atômica: a bomba do ódio, da amargura sufocada, não resolvida, a qual era, todo o dia, incrementada pelo diabo. Primeiramente, surgiu no coração de Absalão ódio do pai, devido à situação de Tamar: Como é que a papai não faz nada?! Nem chamou a moça para consolá- la, para resgatá-la, para redimi-la publicamente! Ele também não fez nada com Amnom! O ódio foi tão grande que, depois dos dois anos de silêncio, Absalão matou o irmão. E quando foi para o exílio, diz a Bíblia (II Samuel 14:27) que nasceu a Absalão uma filha, a qual ele chamou Tamar. Sabe o que Absalão quis dizer ao pai com isso? Davi tem uma filha e lhe põe o nome de Tamar, que significa palmeirinha , plantinha frágil que precisa ser tratada com cuidado. Mas ele não cuida dela. A minha nasceu. O seu nome é Tamar. E eu quero ver se alguém vai tocar nela. Isso é uma declaração de ódio e de amargura que inundam o coração desse filho! A maldição do ódio só se quebra quando pais e filhos vivem um relacionamento franco, transparente, no qual a verdade e a sinceridade de atitudes se somam a uma prática de amor genuíno, constante e compromissado com as necessidades dos membros da família. A MALDIÇÃO DO AMOR FÁCIL Em segundo lugar, Absalão sente ódio do pai em relação a seu próprio caso em particular. Absalão não consegue entender como é que o pai o deixa sair, não o chama. O pai o exila, o pai o traz de volta, mas não o vê. O pai não trata do assunto, o pai não o sacoleja, o pai não o enfrenta, o pai não o sacode, em nome de Deus. Absalão chega a dizer: Digam ao papai para me matar, mas para, pelo menos, me olhar na cara! O pai tenta resolver a situação dando um beijinho e dizendo-lhe: Vai embora. Absalão fica irado e sai com um ódio enorme no coração. Filhos não querem amor fácil; não querem que você faça de conta que o pecado não é pecado; não querem que você alise a cabeça deles como se nada tivesse acontecido. Filhos gostam de verdade, gostam de integridade, gostam de sinceridade, gostam de olhos nos olhos, gostam de perdão sério, gostam de ver um pai ou uma mãe que não vende barato princípios de Deus na vida. Lembro que alguns anos atrás eu aconselhava um garoto de 17 anos, o qual estava muito envolvido com drogas e que não conseguia ficar em colégio algum, apesar de ser muito inteligente. Esse garoto estava desenvolvendo um autismo emocional e psicológico, no qual o mundo se restringia a ele e nada mais importava. Durante uma conversa, senti que o rapaz nutria uma profunda amargura em relação ao pai, quando ele me disse: Papai reclama, murmura, mas nunca sentou para conversar comigo, para perguntar o que há. Eu queria até que ele me batesse, mas que mostrasse que ele está junto, comigo, para me ajudar a sair deste negócio. Ele fala, mas finge que não acontece nada. Eu me sinto como se não existisse. A maldição do amor fácil, descomprometido, se quebra mediante ação, compromisso, seriedade e afirmação dos princípios de Deus na vida. A MALDIÇÃO DOS PECADOS PASSADOS NÃO PERDOADOS O ódio cresce ainda mais. Surge no coração de Absalão ódio dos pecados passados do pai. Sabe o que Absalão faz, quando dá o golpe de Estado, quando toma o poder? Um dos homens que ele chama para ser seu conselheiro pessoal é um certo Aitofel. Sabe quem é este homem? É o avô de Bate-Seba (II Samuel 11:3; 23:34). E sabe que é Bate-Seba? É o caso de Davi. Com isso Absalão imaginava: Vou dar uma ferroada no papai, agora. Esse homem __ Aitofel __ jamais conseguira perdoar a Davi. O seu ódio por Davi ter entrado na vida da neta dele era tão grande, que ele dá o seguinte conselho a Absalão: Olha, o que um dia seu pai fez às escondidas com a minha neta, eu o aconselho a fazer com as mulheres-concubinas dele: possuí-las, no telhado da casa real, para que todo o Israel veja. Segundo as leis da época, apenas o sucessor do rei, em caso de morte deste ou de sua deposição, poderia tomar as mulheres do seu antecessor. Pelo que fez, Absalão merecia a morte, de acordo com a lei mosaica (Levítico 20:11). Aitofel, com esse conselho, pretendia anular qualquer possibilidade de reconciliação entre Davi e Absalão. Observe o ódio que o diabo gestou e fez crescer no coração de Aitofel, que, por sua vez, realimenta o ódio de Absalão por Davi, seu pai. Às vezes, numa briga de família, você se vê surpreso ao ver coisas antigas virem à tona com uma força tremenda: pecados passados, erros jogados na cara na hora da tensão. O diabo usa isto para tirar a autoridade e evitar o confronto com o pecado.Esta maldição se quebra no sangue de Jesus derramado, que nos dá posse definitiva do perdão de Deus. A maldição dos pecados passados não perdoados se quebra com o exercício do perdão diário no interior da família, em suas relações desde as mais corriqueiras e superficiais até as mais íntimas e profundas. A MALDIÇÃO DO CIÚME Por último, Absalão sente ódio dos amigos do pai. Ele passa a ter ódio de Joabe. Para ele, o pai dava muito mais atenção a Joabe do que ao filho. Para ele, Davi tinha mais tempo para Joabe do que para o filho. Absalão odeia todos aqueles que, de algum modo, possuem a alma do pai. Prova eloqüente disso é que, quando Absalão torna-se rei, para comandar os exércitos de Israel, no lugar de Joabe, ele chama a Amasa. Sabe quem era Amasa? O pai desse homem tinha um caso com uma parenta íntima de Joabe (II Samuel 17:25). Com isso Absalão está lavando a roupa suja, desnudando a podridão da corte, pondo tudo isso para fora, ventando todo o seu ódio para todos os lados, em todas as direções. Quantos irmãos se odeiam porque acham que o pai gosta mais de um do que de outro?! Quantos filhos trabalham para derrubar empresas do pai por ciúme?! Quantos ministérios têm sido motivo de revolta por parte do filho, por achar que o pai dá mais importância à igreja do que a ele. Há casos de pessoas que têm ciúmes até de objetos. Um garoto arruinou o carro do pai, riscando-o com uma gilete, por ciúmes. Isto é muito sério. O amor gera estabilidade, confiança e equilíbrio emocional e familiar. A maldição do ciúme só pode ser quebrada com a segurança do amor, o qual gera estabilidade, confiança e equilíbrio emocional e familiar.

ATITUDES PRÁTICAS QUE NOS AJUDAM A EVITAR A MALDIÇÃO FAMILIAR A tragédia de Davi e Absalão deve-nos ensinar algumas lições práticas. Só o que nos salva da tragédia familiar é a nossa conversão aos nossos filhos.Não adianta só ter boas intenções para com os filhos; não adianta darlhes nomes santos; não adianta trabalhar por eles; não adianta apenas dizer: Oh, Deus! Toma conta deles! Porém, você tem que se converter a eles, para que a terra não seja ferida com maldição. Eu viajo de duas a três vezes por semana. Viajo cento e vinte vezes por ano, aproximadamente. Prego, no mínimo, seiscentas vezes todos os anos. Acossado por convites de todos os lados, convites para o ano seguinte, convites para viagens ao exterior, os quais, se quisesse atendê-los, eu encheria a minha agenda para o ano todo, apenas viajando de um país para o outro. Você pode estar-se perguntando: Com que autoridade você fala isso? Respondo: Estou falando isso com a autoridade, em nome de Jesus, de quem viaja para pregar o evangelho, mas que está disposto a arrebentar qualquer agenda para não esmagar a vida de um filho. Eu estou pagando um preço bem alto por isso: saio do Rio de Janeiro às cinco da manhã, vou a Belém do Pará, chegando lá às 9h. Prego às 10h, prego às 12h, prego às 15h, prego às 17h. Pego um vôo de volta e chego em casa às dez e meia da noite para passar a mão na cabeça da minha garotinha de nove anos e lhe dizer: Papai tá aqui. Papai tá aqui. Isso tudo para pôr a mão sobre ela e dizer: Eu te abencôo, em nome de Jesus! Depois, pego o meu garoto mais novo e lhe digo: Vem cá, fica aqui! Vamos fazer uma oração juntos. Como foi o seu dia? E a escola? Em seguida, dirijo-me aos rapazes. Pergunto-lhes: E aí? E os amigos? E as amigas? E vocês, como estão? Faço isso para, cedo, tomar um café da manhã junto deles. Eu não quero ganhar o mundo inteiro e perder meus filhos. Eu não quero ser conhecido como o grande homem de Deus no Brasil, com a casa arruinada. Meu primeiro compromisso de vida é com Deus. O meu segundo compromisso na vida é com minha mulher. O meu terceiro compromisso na vida é com os meus filhos, e o meu ministério vem a reboque . Pais convertidos aos seus filhos investem tempo neles. Você pode ser muito ocupado, mas não deve esquecer que, entre as prioridades da sua agenda, deve abrir espaço para seus filhos: espaço para orar com eles, para jogar conversa fora com eles, para caminhar na praia com eles, para tomar um café junto com eles, para deitar numa rede e contar história para eles, para consertar um brinquedo quebrado de algum deles, para assistir a uma apresentação na escola deles, para ouvir os grandes e pequenos problemas do mundo deles. MARCAS DE PAIS CONVERTIDOS AOS SEUS FILHOS Pais convertidos a seus filhos não transferem responsabilidades nem para o melhor avô, nem para a melhor avó; nem para o filho mais velho e mais responsável; nem para o pastor mais consagrado; nem para o psicólogo mais renomado; nem para a escola mais conceituada; nem para a igreja mais ungida. A responsabilidade pelos meus filhos, como pai que sou, é minha, é minha, é minha e é minha; e não é de mais ninguém! A responsabilidade, como pai ou mão de seus filhos, é sua, é sua, é sua e é sua! E não é de mais ninguém! Pais convertidos a seus filhos não minimizam o poder das amarguras familiares. Não dizem: Isso é briga de irmãos. É desavença deles. Eles não se dão muito bem, mas um dia eles se acertam. Pais convertidos a seus filhos não brincam com o ódio existente entre os filhos e não acham que isto é algo sem importância; ao contrário, levam tal situação a sério, buscando resolvê-la. Davi era muito melhor do que eu. Mas Amnom possuiu a Tamar; Absalão matou a Amnom; Salomão matou a Adonias, e este odiava a todos. Meu Deus! Se isto pôde acontecer na casa de Davi, pode acontecer na minha casa, pode acontecer na sua casa. Não brinca com isso! Pode acontecer, especialmente, onde há dinheiro. Como tenho visto, ultimamente, familiares de empresários evangélicos ricos brigando por causa de dinheiro! Pais convertidos a seus filhos consideram, cuidadosamente, os sentimentos perniciosos, nocivos a uma relação familiar sadia e tratam-nos de forma amadurecida. Exorcizam tais sentimentos do fundo da sua alma e da alma dos filhos, em nome de Jesus, enquanto há tempo; tratam desses sentimentos; oram por eles; conversam sobre eles; choram por causa deles; investem tempo no enfrentamento e na resolução deles, enquanto ainda há tempo. Pais convertidos a seus filhos não reagem aos filhos apenas emocionalmente. A Bíblia nos diz em II Samuel 13:39 que um dia Davi ficou cheio de ódio por Absalão. Porém, quando o ódio passou, ele não fez mais nada. Davi não demonstrou nenhum senso de justiça, nenhuma preocupação com princípios morais e divinos, nenhuma preocupação em tratar do assunto, mesmo depois de aplacado o ódio, até porque crime e pecado haviam sido cometidos. Filhos odeiam pais emocionais, que são apenas capazes de espancamento, da gritaria e da brutalidade, mas que não agem baseados em princípios de justiça, de verdade, de coerência e de integridade. Pais convertidos a seus filhos não fogem dos seus pecados da juventude, antes os resolvendo na presença dos filhos. Neste sentido, eu me sinto muito à vontade para falar a respeito disso. Eu cometi muitos pecados na juventude. Mas meus filhos foram crescendo num lar onde isso nunca esteve encoberto, camuflado. A seu tempo, todos eles foram tomando conhecimento de tudo. Hoje em dia, eu converso francamente com os mais velhos acerca de qualquer coisa. O segundo deles, que é um adolescente, que ama muito a juventude, a vida, graças a Deus crente, de vez em quando, conversando sobre alguém, ele me pergunta: Mas, papai, um dia você já viveu como fulano? Já, filho, já. __ respondo. Deve ser horrível viver assim, né? É, filho, é. __ eu digo. Como é, pai? __ ele me pergunta. Eu lhe digo: É assim, assim e assim. Agora, filho, entre fulano e papai existe a barrira intransponível do sangue do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É porque sei como é podre viver daquele jeito, que eu digo a você, filho: não chega nem perto. Você não está perdendo nada. No entanto, se só o que salva a nossa família de uma tragédia é o coração dos pais se converter aos filhos, também só o que salva os filhos da tragédia pessoal é a conversão do seu coração aos pais. MARCAS DE FILHOS CONVERTIDOS AOS PAIS Filhos convertidos aos pais entendem, pelo menos, três coisas: Em primeiro lugar, filhos convertidos aos pais têm consciência de que não estão fadados, predestinados a serem produto dos pecados dos pais, nem a cometerem os mesmos erros deles. Não podem pensar que, por serem filhos de escorpião, têm que, necessária e infalivelmente, dar ferroada a vida inteira. A propósito disso, há uma história engraçada, em que um escorpião pede a um sapo que o leve nas costas, a fim de atravessar um rio. O sapo lhe responde: Você está louco? Se eu o levar, no meio da travessia você me pica e eu morro. De jeito nenhum. Bom __ falou o escorpião __ se eu o picar e você morrer, morro eu também, pois não sei nadar. O sapo pensou e disse: Você tem razão. Sobe aqui. A travessia ia muito bem… Até que num determinado momento.

Ai! Você me picou! Agora nós vamos morrer! Por que você fez isso? __ perguntou o sapo. Desculpe, mas não pude resistir à minha natureza __ respondeu-lhe o escorpião. Jesus veio ao mundo para arrancar-nos essa natureza de escorpião. Veio ao mundo para desensinar você a ferroar. Em segundo lugar, filhos convertidos aos pais não atribuem ao tempo a cura dos ferimentos da alma. Não ficam pensando que o tempo vai fazer com que o ódio ao pai, a Amnom, a dor pela Tamar e demais angústias vão sarar. Tratam da solução hoje. Deixam o Espírito Santo desenraizar tais amarguras hoje. Permitem que o Espírito de Deus os livre de todo ódio hoje, pois hoje é o dia. Escrevo essas linhas hoje, em nome de Jesus, para ordenar, em nome dEle, que toda a amargura seja arrancada do seu peito hoje. Em terceiro lugar, filhos convertidos aos pais tomam cuidado para não caírem na teia das amarguras familiares. Cuidado, você que é filho, com a cobiça que está crescendo, com as ambições que estão se desenvolvendo. Cuidado, você que é pai, com a administração e a divisão da herança. Cuidado! Cuidado, para você não cair numa teia de ódio: ódio do pai, ódio dos amigos do pai, ódio do irmão, ódio da irmã, ódio, ódio e ódio. Cuidado! CONCLUSÃO Estas são as maldições que devemos nos preparar para quebrar em nossos lares. Não podemos mais nos conformar com a destruição das famílias. Nossa oração é que pais e filhos possam encontrar o caminho da conversão, do perdão , da reconciliação, do diálogo, do encontro, do choro solidário e da comunhão.Que Deus possa ajudá-lo a expurgar a amargura da alma, a exorcizar o prazer sádico da vingança, o masoquismo da autocomiseração. Que Deus o ajude a enxergar o valor da família, a preciosidade da relação ente um pai e um filho, entre uma mãe e uma filha. Que você possa dar valor não ao que tem dentro de casa, mas dar valor ao que você pode construir dentro dela. Quando pais se converterem aos seus filhos, filhos se converterem aos seus pais, maridos se converterem a suas esposas, esposas se converterem a seus maridos, quando você deixar o ódio cair por terra e o Espírito Santo encher o seu coração de amor, de perdão e de reconciliação, a maldição estará quebrada na terra. INTERPRETAÇÃO DO TEXTO Você acabou de ler mais um livro da VINDE Comunicações. Nosso interesse é que, se você se sentiu abençoado por ele, você possa tornar-se um agente multiplicador da mensagem nele contida e, com isso, abençoar a outros também. Este booklet pode ser usado como material em estudos de grupo, em células de comunhão e na devoção familiar, entre outros fins a que se destina. As perguntas aqui formuladas são uma base para se debater e aprofundar ainda mais o assunto, bem como enriquecê-lo com sua própria experiência. 1. Como você interpretaria o termo maldição familiar ? R: 2. O diabo usa brechas deixadas por nós para implantar o mal dentro do contexto familiar. Qual foi a brecha deixada por Davi que permitiu que isso acontecesse no seio de sua família? R: 3. E qual foi a brecha deixada por Absalão? R: 4. De acordo com o texto, o amor mal administrado pode fazer mal. Dê exemplos práticos de como isso aconteceu na relação familiar existente entre Davi e seus filhos. R: 5. Baseado na pergunta anterior, reconheça situações semelhantes no relacionamento familiar de hoje. R: 6. Faça, agora, um exercício interior: se você é pai ou mãe, enumere quais são as suas responsabilidades intransferíveis em relação a seus filhos. R: 7. Quais as marcas de pais convertidos aos seus filhos? R: 8. Quais as principais evidências de filhos convertidos aos pais? R: 9. De que maneira nós, cristãos, podemos combater as maldições familiares? R: 10. Como podemos fazer com que relações familiares sustentadas por bases malignas se transforma.

O DRAMA DE ABSALÃO Uma história de ódio, paixões e morte mudando a sua perspectiva da vida O grande rei de Israel, Davi, e seu filho, Absalão, constituem o melhor e o mais trágico exemplo de um pai e de seu filho que não conseguiram, a seu tempo e na hora apropriada, discernir algo extremamente maligno que começava a crescer entre eles: raízes de morte, de amargura e de destruição que haveriam de abalar radicalmente suas vidas e traumatizá-los para sempre. Neste livro, Caio Fábio o convida a quebrar ódios e amarguras que se perpetuam nos relacionamentos familiares e que destroem a existência de qualquer pessoa. O autor o desafia a erguer a cruz de Cristo no centro do seu lar, em seus vínculos mais profundos, em sua sala, no seu quarto, na sua cozinha ou dentro do armário dos seus filhos, nas gavetas mais íntimas, fechadas, lacradas pelo tempo da desesperança. Resta-lhe a busca da reconciliação, do perdão, do diálogo, do encontro, do choro solidário e da comunhão que construirão a sua nova história. Seja bem-vindo ao lugar onde Deus o quer em paz: o seu próprio lar.

Publicado por: JotaAntunes | 31 maio 2016

Soberania e Salvação (sermão inédito de C.H.Spurgeon)


images“Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra, porque eu sou Deus, e não há outro.” Isaías 45:22.

Há seis anos atrás, quase nesta mesma hora do dia, me encontrava “em fel de amargura e em laços de iniquidade.” Contudo, pela graça divina, já tinha sido conduzido a sentir a amargura dessa servidão, e a clamar em razão da maldade dessa escravidão. Buscando o descanso sem encontrá-lo, entrei na casa de Deus e me sentei ali, temendo que, se levantasse o olhar, poderia ser cortado e consumido completamente por Sua severa ira. O ministro subiu ao púlpito e, da mesma forma como acabo de fazer, leu este texto: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra, porque eu sou Deus, e não há outro.” Eu olhei no mesmo instante e a graça da fé me foi outorgada ali; e agora creio que posso afirmar verdadeiramente:

“Desde que pela fé vi a torrente,
Que é alimentada por Suas feridas sangrentas,
O amor redentor foi meu tema,
E assim será até que morra.”

Nunca esquecerei esse dia, enquanto conservar minha memória; tão pouco poderei deixar de repetir este texto cada vez que me lembrar daquele momento, quando conheci pela primeira vez para o Senhor. Foi um encontro surpreendentemente cheio de graça! E agora é uma experiência portentosa e maravilhosa para quem ouviu estas palavras faz tão pouco tempo, para proveito de sua própria alma, que eu possa dirigir-me a vocês hoje, como ouvintes do mesmo texto, com a plena esperança e confiança que algum pobre pecador, dentro destas paredes, ouça também para si, as boas novas de salvação, e que hoje, 6 de Janeiro, possa “lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus.”

Se estivesse dentro do alcance da capacidade humana, conceber um tempo no qual Deus morava só, sem Suas criaturas, teríamos então uma das ideias mais grandiosas e estupendas de Deus. Houve uma época quando o sol ainda não havia percorrido ainda sua rota, nem havia começado a projetar seus dourados raios através do espaço para alegrar a terra. Houve uma era na qual nenhuma estrela brilhava no firmamento, pois não havia nenhum mar azul no qual pudesse flutuar. Houve um tempo em que não existia nada do que agora contemplamos do grandioso universo de Deus, ainda não havia nascido ainda, mas dormia, incriado e inexistente, na mente de Deus; contudo, Deus existia e Ele era “sobre todos, Deus bendito eternamente.” Ainda que nenhum serafim cantasse os hinos de Seu louvor; ainda que nenhum querubim de asas potentes se apressasse como o raio para cumprir Suas ordens; ainda que Ele não tivesse um séquito, se sentava como um rei em seu trono, Deus todo poderoso, a ser para sempre adorado: o Augusto Supremo morava sozinho na vasta imensidão em solene silêncio, fazendo das plácidas nuvens Seu dossel[1], e a luz de Seu próprio rosto formava o brilho de Sua glória.

Deus era, e Deus é. Desde o princípio Deus era Deus; antes que os mundos tivessem um princípio, Ele era “de eternidade a eternidade.” Mas quando lhe agradou criar as Suas criaturas, vocês não creem que essas criaturas deveriam permanecer infinitamente abaixo d’Ele? Se vocês fossem oleiros e projetassem um navio em uma roda, crêem que essa peça de barro poderia exigir uma igualdade de condição com vocês? Não, mas estariam a uma grande distância, já que vocês teriam sido em parte seus criadores.

Assim, quando o Todo Poderoso formou Suas criaturas, por acaso não foi um consumado atrevimento que se aventurassem a se comparar por um só instante com Ele? Contudo, esse arquiinimigo, esse líder dos rebeldes, Satanás, buscou elevar-se ao trono de Deus nas alturas, para logo descobrir que sua meta era demasiado elevada, e que o próprio inferno não era suficientemente profundo para escapar da vingança divina. Ele sabe que Deus é o “único Deus.” Desde que o mundo foi criado, o homem imita a Satanás; a criatura de um dia, a coisa efêmera de uma hora, buscou igualar-se ao Eterno. Por esta razão, um dos objetivos do grandioso Jeová sempre foi ensinar à humanidade que Ele é Deus, e não há outro. Esta é a lição que Ele tem estado ensinando ao mundo desde que o mundo se extraviou. Tem estado ocupado em derrubar os lugares altos, em exaltar os vales, em humilhar as imaginações e os olhares altivos, para que todo o mundo possa:

“Saber que só o Senhor é Deus,
Que pode criar e pode destruir.”

Nesta manhã tentaremos mostrar-lhes, em primeiro lugar, como Deus tem estado ensinando ao mundo esta grandiosa lição: que Ele é Deus, e não há outro; e logo, em segundo lugar, a maneira especial na qual quer ensinar esta lição com relação à salvação: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra, porque eu sou Deus, e não há outro.”

I. Em primeiro lugar, então, COMO DEUS TEM ENSINADO ESTA LIÇÃO À HUMANIDADE?

Nós respondemos que em primeiro lugar ensinou aos deuses falsos, e aos idólatras que se inclinam diante deles. O homem, em sua perversão e pecado, estabeleceu que um pedaço de madeira e pedra seja seu criador, e se inclinou diante dele. Moldou para si, entalhando-a de uma árvore frondosa, uma imagem feita à semelhança de homem mortal, ou dos peixes do mar, ou das criaturas que se arrastam sobre a terra, e prostrou seu corpo e também sua alma diante dessa criatura saída de suas próprias mãos, chamando-a de Deus, ainda que não tivesse nem olhos para ver, nem mãos para segurar, nem ouvidos para ouvir!

Mas como derramou Deus Seu desprezo sobre os antigos deuses dos pagãos. Onde estão eles agora? Por acaso são sequer conhecidos? Onde estão essas deidades falsas diante de quem se prostravam as multidões de Nínive? Perguntem às toupeiras e aos morcegos que são seus companheiros; ou perguntem aos montes de areia sob os quais estão enterrados; ou sigam por onde o visitante ocioso caminha por todo o museu, contemplando-os como curiosidades, e sorrindo ao pensar que existiram homens que se inclinavam diante de deuses como esses.

E, onde estão os deuses da Pérsia? Onde estão? Os fogos estão apagados e o adorador do fogo quase desapareceu da terra. Onde estão os deuses da Grécia: esses deuses adornados com poesia, e celebrados nas mais sublimes odes? Onde estão? Desapareceram. Quem os menciona agora, a não ser como coisas do passado? Júpiter: por acaso alguém se inclina diante dele? E, quem adora a Saturno? Todos eles passaram e estão esquecidos. E, onde estão os deuses de Roma? Acaso Jano governa no templo? Alimentam as virgens vestais seus fogos perpétuos? Ainda há alguém que se incline diante desses deuses? Não, eles perderam seus tronos.

E, onde estão os deuses das Ilhas dos Mares do Sul: esses demônios sangrentos diante dos quais desventuradas criaturas prostravam seus corpos? Todos eles estão quase extintos. Perguntem aos habitantes da China e da Polinésia, onde estão os deuses diante dos quais se inclinavam. Perguntem, e o eco que repete, será sua única resposta: perguntem, e perguntem novamente. Eles foram derrubados de seus tronos; foram lançados de seus pedestais; seus carros estão destroçados, seus cetros foram consumidos pelo fogo, e suas glórias se foram; Deus obteve a vitória sobre os falsos deuses, e ensinou a seus adoradores que Ele é Deus, e não há outro.

Há deuses que ainda são adorados, ou há ídolos diante dos quais se as nações? Esperem somente um pouco de tempo, e os verão cair. Cruel Carro Monstro Destruidor[2], cujo carro esmaga em seu movimento os insensatos que se lançam diante dele, logo será objeto de escárnio; e os ídolos mais notáveis, tais como Buda, Brahma e Vishnu, cairão por terra, e os homens os pisarão como o lodo das ruas; pois Deus ensinará a todos os homens que Ele é Deus, e não há outro.

Observem, também, como Deus ensinou esta verdade aos impérios. Os impérios surgiram e se converteram nos deuses de sua época; seus reis e seus príncipes assumiram títulos elevados, e foram adorados por multidões de pessoas. Mas perguntem aos impérios se além de Deus, há mais alguém. Não podem escutar o solilóquio altivo da Babilônia: “Eu estou sentada como rainha, e não sou viúva, e nunca verei pranto;” E não pensem agora que se caminham sobre a Babilônia em ruínas, encontrarão algo, exceto o espírito solene da Bíblia, de pé como um profeta de cabelos grisalhos pela idade, dizendo-lhes que há um só Deus, e não há outro.

Vai à Babilônia, coberta de areia, a areia de suas próprias ruínas; Fiquem sobre os montes de Nínive, e escutem como uma voz se eleva: “Há um só Deus, e os impérios afundam diante d’Ele; há uma só potestade, e os príncipes e os reis da terra com suas dinastias e tronos são esmagados pela planta de Seu pé.” Vão, e sentem-se no templo da Grécia; vejam ali as arrogantes palavras que uma vez foram pronunciadas por Alexandre; mas agora, onde está ele, e onde está também seu império? Sentem-se nos arcos em ruínas da ponte de Cartago, ou caminhem dentro dos desolados teatros de Roma, e ouvirão uma voz levada pelo vento selvagem em meio às ruínas: “Eu sou Deus, e não há outro.” “Oh, cidade, tu te chamavas eterna; Eu fiz com que te derretas como orvalho. Tu disseste: ‘eu estou sobre sete colinas, e permanecerei para sempre;’ Eu te esmaguei e agora és um lugar miserável e desprezível, comparado com o que antes foste. Uma vez foste uma pedra, mas te fizeste mármore; eu te tornei pedra novamente, e te humilhei.” Oh, como tem ensinado Deus às monarquias e aos impérios que se estabeleceram como novos reinos celestiais, que Ele é Deus, e não há outro!

E também: como Ele ensinou esta grande verdade aos monarcas! Alguns que foram muito orgulhosos tiveram que aprender de uma maneira mais dura que outros. Vejam, por exemplo, a Nabucodonosor. Sua cabeça mostra uma coroa, e sobre seus ombros leva um manto de púrpura; caminha ao longo da insolente Babilônia, dizendo: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?” Vocês vêem essa criatura lá no campo? É um homem. “Um homem?” você pergunta; seu cabelo cresceu como penas de águia, e suas unhas são como as das aves; caminha sobre quatro patas, e come pasto como os bois; foi lançado de entre os homens. Esse é o monarca que perguntou: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?” Mas logo foi restabelecido o palácio da Babilônia, para que pudesse “bendizer ao Altíssimo que pode humilhar aos que andam com soberba.”

Recordem outro monarca. Olhem para Herodes. Ele se senta no meio de seu povo, e fala. Escutam seu ímpio clamor? Eles gritam: “Voz de Deus, e não de homem!” O orgulhoso monarca não glorifica a Deus; se constitui em deus e parece sacudir as esferas celestes, imaginando-se divino. Mas um verme se arrasta para o interior de seu corpo, e outro mais, e outro, e antes que o sol se oculte, é comido pelos vermes. Ah Monarca! Pensaste que eras um deus, e os vermes te comeram! Pensaste que eras mais que homem; e, o que és? Menos que homem, pois os vermes te consomem e és presa da corrupção. Assim humilha Deus ao orgulhoso; assim abate ao poderoso.

Poderíamos dar-lhes exemplos tomados da história moderna; mas a morte de um rei seria mais que suficiente para ensinar esta lição, se os homens quisessem aprendê-la. Quando os reis morrem e são levados à tumba com pompas fúnebres, estamos aprendendo a lição: “Eu sou Deus, e não há outro.” Quando ouvimos sobre revoluções e da queda de impérios; quando vemos que tremem as velhas dinastias e os monarcas de cabelos grisalhos são depostos de seus tronos, então é que Jeová aparece por Seu pé sobre a terra e o mar, e com Sua mão no alto clama: “Ouçam, todos os moradores do mundo! Vocês não são mais que lagostas; ‘Eu sou Deus, e não há outro.”

Além disso, nosso Deus teve que fazer muito para ensinar esta lição aos sábios deste mundo; pois assim como a posição, a pompa, e o poder se colocam no lugar de Deus, também a sabedoria o fez; e um dos piores inimigos da Deidade tem sido sempre a sabedoria do homem. A sabedoria do homem não quer ver a Deus. Professando ser sábios, os homens sábios se converteram em néscios. Mas, acaso não observaram, ao ler a história, como Deus abateu a arrogância da sabedoria? Em épocas remotas, Ele enviou mentes poderosas ao mundo, que idealizaram sistemas de filosofia. “Estes sistemas,” afirmaram eles, “permanecerão para sempre.” Seus alunos os consideraram infalíveis, e, portanto registraram suas expressões em pergaminhos duradouros, dizendo: “Este livro permanecerá para sempre; gerações sucessivas de homens o lerão, e, até o último homem, este livro será transmitido como o compêndio da sabedoria.” “Ah!” disse Deus, “mas esse livro será considerado uma loucura antes que tenham transcorrido outros cem anos.” E assim, os poderosos pensamentos de Sócrates, e a sabedoria de Solom, estão completamente esquecidos agora; e se pudéssemos escutá-las, o menino mais jovem de qualquer de nossas escolas fundamentais, riria ao pensar que entende mais de filosofia do que eles.

Mas quando o homem descobriu a vaidade de um sistema, de imediato seus olhos se deslumbraram diante do seguinte; se Aristóteles não é suficiente, temos a Bacon; se diz a si mesmo: ‘agora saberei tudo’; e se põe a trabalhar, e afirma que esta nova filosofia durará para sempre. Coloca, uma sobre a outra, suas pedras de formosas cores, e pensa que cada verdade que amontoa é uma preciosa verdade não perecível. Mas, ai, chega outro século, e se descobre que é, “madeira, feno, e palha.” Se levanta uma nova seita de filósofos que refutam a seus predecessores. Da mesma maneira temos sábios em nossos dias: sábios segundo o mundo, e pessoas semelhantes, que imaginam que alcançaram a verdade; mas dentro de outros cinquenta anos – e escutem bem minhas palavras – meu cabelo não terá embranquecido ainda, antes que o último indivíduo dessa raça tenha perecido, e esse homem seja considerado um louco por ter sustentado as crenças do grupo.

Os sistemas de infidelidade passam como gotas de orvalho sob o sol; pois Deus diz: “Eu sou Deus, e não há outro.” A Bíblia é a pedra que transformará a filosofia em pó; é o aríete que despedaçará todos os sistemas filosóficos; é a pedra que uma mulher pode lançar sobre a cabeça de cada Abimeleque, e será destruído por completo. Oh, Igreja de Deus, não temas; tu farás maravilhas; os sábios serão confundidos, e tu saberás, e eles também, que Ele é Deus, e não há outro.

“Certamente,” alguém dirá, “a igreja de Deus não necessita que se ensine isto.” Nós respondemos que sim, necessita, pois de todos os seres, aqueles a quem Deus fez objeto de Sua graça, são, talvez, os mais inclinados a esquecerem desta verdade cardinal: que Ele é Deus, e não há outro. Como esqueceu a igreja de Canaã, quando se inclinaram diante de outros deuses, e por essa razão Deus trouxe contra eles reis e príncipes poderosos, e os afligiu mui dolorosamente. Como esqueceu Israel! E Ele os levou cativos à Babilônia. E o que Israel fez em Canaã, e na Babilônia, isso fazemos nós agora. Nós também, com demasiada frequência, esquecemos que Ele é Deus, e não há outro.

Acaso o cristão não sabe o que quero dizer, quando menciono este importante feito? Acaso não fez ele o mesmo alguma vez? Em determinadas épocas a prosperidade o visitou, e suaves brisas impulsionaram seu barco, exatamente ao lugar para onde queria dirigir-se sua indômita vontade; e disse para si: “agora tenho paz, agora sou feliz, agora o objeto que desejava está a meu alcance, agora direi: alma, senta-te e repousa; come, bebe, regozija-te, pois estas coisas te farão contente; converte-as em teu deus; sê próspero e feliz.” Mas, não vimos nosso Deus jogar a taça no chão, derramar o doce vinho e em seu lugar enchê-la de fel? E ao entregar-nos a taça, nos disse: “Bebe, bebe: pensaste encontrar um deus na terra, mas bebe rápido e conhece sua amargura.” Quando bebemos da taça, nos damos conta que o trago é nauseabundo, e exclamamos: “Ah, Deus, não beberei mais estas coisas; Tu és Deus, e não há outro.”

E, ah, quão frequentemente temos traçado esquemas para o futuro, sem pedir permissão a Deus! Os homens disseram como esses loucos que Tiago menciona: “Hoje e amanhã iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos.” Mas eles não sabiam o que seria o amanhã, pois muito antes que viesse a manhã não puderam nem vender nem comprar: a morte os havia reclamado, e um pequeno palmo de terra continha todos seus restos mortais.

Deus ensina Seu povo a cada dia, por meio da enfermidade, da aflição, da depressão espiritual, do abandono de Deus, da perda do Espírito por um tempo, e da falta de alegria em seu rosto: ensina que Ele é Deus, e não há outro. E não devemos esquecer que há alguns servos especiais de Deus, levantados para grandes obras, que devem aprender esta lição de maneira especial. Por exemplo, vejamos um homem chamado à grandiosa obra de pregar o Evangelho. Tem êxito; Deus o ajuda; milhares de pessoas aprendem aos seus pés, e multidões estão pendentes de seus lábios; tão certo como é humano, terá uma tendência a ser exaltado sem medida, e começará a se olhar demasiado, e olhar muito pouco para Deus. Que os homens que conhecem sejam os que falem, e que digam o que sabem; e eles dirão: “é certo, é muito certo.” Se Deus nos dá uma missão especial, geralmente começamos a dar-nos honra e glória a nós mesmos. Mas ao considerar os eminentes santos de Deus, por acaso não se deram conta, como Deus os levou a sentir que Ele é Deus, e não há outro? O pobre Paulo poderia ter se considerado um deus, e poderia ter exultado com sucesso, em razão da grandeza de sua revelação, se não tivesse recebido um aguilhão em sua carne, e os deuses não podiam ter aguilhões em sua carne.

Algumas vezes Deus ensina ao ministro negando-lhe a ajuda em ocasiões especiais. Às vezes subimos ao púlpito, e dizemos: “Oh, que eu tivesse um bom dia hoje!” E começamos a esforçar-nos; temos sido mui ardentes e incansáveis em nossa oração; mas somos semelhantes ao cavalo que tem os olhos vendados para dar voltas no moinho, ou como Sansão com Dalila: sacudimos nossas vãs extremidades com grande surpresa, “apresentamos um débil combate,” e não obtemos nenhuma vitória. Somos conduzidos a ver que o Senhor é Deus, e não há outro.

Mui frequentemente, Deus ensina isto ao ministro levando-o ao ponto de ver sua própria natureza pecaminosa. Terá tal discernimento sobre seu próprio coração perverso e abominável, que sentirá, quando suba ao púlpito, que não merece nem sequer sentar-se em um dos bancos da igreja, e muito menos pregar a seus companheiros. Ainda que sempre sentimos gozo ao declarar a Palavra de Deus, contudo, sabemos o que é vacilar ao subir os degraus do púlpito, sob a sensação que o primeiro entre os pecadores não deveria ter permissão para pregar aos demais.

Ah, amados, não creio que alguém tenha êxito como ministro, se não é levado às profundidades e trevas de sua própria alma, a ponto de ter que exclamar: “A mim, que sou menos que o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios o evangelho das inescrutáveis riquezas de Cristo.”

Há outro antídoto que Deus aplica no caso dos ministros. Se não os trata de maneira pessoal, Ele levanta um exército de inimigos para que se possa ver que Ele é Deus, e somente Deus. Um estimado amigo me enviou ontem um valioso manuscrito de um dos hinos de George Whitefield, que foi cantado em Kennington Common. Trata-se de um esplêndido hino, completamente ao estilo de Whitefield do princípio ao fim. Mostra que sua confiança descansava inteiramente no Senhor, e que Deus estava no seu interior. Como se sujeitaria um homem às calúnias da multidão; como se afanaria e trabalharia cada dia desnecessariamente; como subiria ao púlpito cada domingo para pregar o Evangelho, e se exporia a que seu nome fosse caluniado e difamado, se não tivesse nele a graça de Deus? Quanto a mim, posso dizer que se não fosse porque o amor de Cristo me constrange, este momento seria minha última pregação, no relativo à comodidade de fazê-lo. “Ai de nós se não anunciarmos o evangelho, porque nos é imposta essa obrigação!”

Mas a oposição através da qual Deus conduz a Seus servos, os faz ver de uma vez que Ele é Deus, e não há outro. Se todos aplaudissem, se todos fossem gratificados, pensaríamos que somos Deus; mas quando se burlam e insultam, nos voltamos para nosso Deus, e clamamos:

“Se em meu rosto, por causa de Teu amado nome,
Me açoitam a vergonha e a repreensão,
Aclamarei a repreensão,

e darei as boas-vindas à vergonha,
Sempre e quando Tu te lembres de mim.”

II. Isto nos conduz à segunda parte de nosso sermão. A salvação é a maior obra de Deus; por isso, em Sua maior obra, Ele nos ensina especialmente esta lição: que Ele é Deus, e não há outro. Nosso texto nos informa sobre A MANEIRA NA QUAL ENSINA: Ele diz: “Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra.” Ele nos mostra que Ele é Deus, e não há outro, de três maneiras. Primeiro, pela pessoa para quem nos dirige o olhar: “Olhai para mim, e sereis salvos.” Em segundo lugar, pelos meios que nos indica usar para obter misericórdia: “Olhai,” simplesmente “Olhai.” E, em terceiro lugar, pelas pessoas conclamadas a “olhar:” “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.“

1. Em primeiro lugar, a quem Deus nos indica que olhemos para a salvação? Oh, por acaso não se humilha o orgulho do homem, quando escuta que o Senhor diz: “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra?” Não é: “Olhem para seu sacerdote, e sejam salvos:” se o fizessem assim, haveria outro Deus, haveria alguém mais. Não diz: “Olhem para si mesmos:” se assim fosse, então haveria um ser que poderia exigir parte do mérito da salvação. Mas é: “olhai para mim.” Com que frequência vocês que estão vindo a Cristo olham para vocês mesmos. “Oh!,” dirão, “eu não me arrependo o suficiente.” Isso é olhar para si mesmo. “Eu não creio o suficiente.” Isso é olhar para si mesmo. “Eu sou demasiado indigno.” Isso é olhar para si mesmo. “Eu não posso achar,” afirma outro, “que tenha alguma justiça.” É muito correto que digas que não tens nenhuma justiça; mas é muito incorreto que busques alguma justiça em ti. É “Olhai para mim.” Deus quer que apartes teus olhos de ti e que olhes para Ele. O mais difícil do mundo é que o homem aparte o olho de si mesmo; enquanto viva, sempre sente a predileção de voltar seus olhos para dentro de si mesmo; em troca, Deus diz: “Olhai para mim.”

Da Cruz do Calvário, onde as sangrentas mãos de Jesus gotejam misericórdia e do jardim do Getsêmani, onde os sangrentos poros do Salvador suam perdões, sobe o clamor: “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.” Do cume do Calvário, onde Jesus exclamou: “Está consumado,” ouço um grito: “Olhai e sejam salvos.” Mas de nossa alma surge uma vil exclamação: “Não, olha-te a ti mesmo! Olha-te a ti mesmo!” Ah, querido leitor, olha-te a ti mesmo e te condenarás. Essa certamente será tua sorte. Enquanto olhares para ti mesmo, não há esperança para ti. Não é uma consideração do que és, mas uma consideração do que Deus é, e do que Cristo é, o que pode salvar-te. É transferir o olhar de ti para Jesus. Oh, há homens que entendem mal o Evangelho; eles crêem que sua justiça os qualifica para vir a Cristo; mas o pecado é a única qualificação para que um homem venha a Jesus. O bom e velho Sr. Crisp diz: “A justiça me mantém afastado de Cristo: o são não tem necessidade de um médico, mas sim os que estão enfermos; o pecado, quando é reconhecido, me conduz a Cristo, e ao vir a Cristo, quanto mais pecado tenha, maior motivo possuo para esperar misericórdia.”

Davi diz, e por certo é algo surpreendente o que disse: “Perdoarás também meu pecado, que é grande.” Mas, Davi, por que não disseste que era pequeno teu pecado? Porque Davi sabia que quanto maiores seus pecados, maior razão teria para pedir misericórdia. Quanto mais vil é um homem, com maior afinco o convido a crer em Jesus. Como ministros, tudo o que temos que buscar é um sentido de pecado. Nós pregamos para os pecadores; e se sabemos que um homem assume o título de pecador para si, então lhe dizemos: “Olha para Cristo, e serás salvo.” Olhe, isto é tudo o que Ele procura em ti, e também isto Ele te proporciona. Se olhas a ti mesmo, estás condenado; tu és um sem vergonha vil, cheio de coisas repugnantes, corruptas e que corrompem a outros.

Mas olhe aqui! Vês aquele homem pendurado na cruz? Podes contemplar Sua cabeça moribunda inclinada com mansidão sobre Seu peito? Vês essa coroa de espinhos, que faz brotar gotas de sangue que escorrem pelas maçãs de Seu rosto? Vês Suas mãos, traspassadas e rasgadas, e Seus benditos pés, suportando o peso de Seu corpo, partidos quase completamente em dois pelos pregos cruéis? Pecador, podes escutá-lo gritando!?: “Elí, Elí, lamá sabactâni?” Acaso não o escuta clamar: “Está consumado”? Podes ver Sua cabeça inclinada pela morte? Vês esse lado traspassado pela lança, e o corpo baixado da cruz?

Oh, vem aqui! Essas mãos foram cravadas por ti; esses pés verteram sangue por ti; esse lado foi aberto por ti; e se queres saber como podes encontrar misericórdia, ali está! “Olhai!” “Olhai para mim!” Não olhes mais para Moisés. Não olhes mais para o Sinai. Vem aqui e olha para o Calvário, e para a vítima do Calvário, e para o sepulcro de José. E olha para lá, para o homem que junto ao trono se senta com Seu Pai, coroado de luz e de imortalidade. “Olha, pecador,” Ele te diz, o dia de hoje, “Olha-me se sê salvo.” Desta forma, Deus nos ensina que não há ninguém mais; porque Ele nos leva a olhar unicamente para Ele, e a olhar totalmente longe de nós mesmos.

2. O segundo pensamento é: os meios de salvação. É, “Olhai para mim, e sereis salvos.” Vocês devem ter observado frequentemente, estou certo, que muitas pessoas se agradam de uma adoração intrincada, uma religião complicada, que dificilmente podem compreender. Não podem suportar uma adoração tão simples como a nossa. Por isso devem ter um homem vestido de branco, e um homem vestido de negro; logo devem ter o que chamam um altar e um presbitério. Depois de pouco tempo isso já não é suficiente, e devem ter floreiras e velas. Então o clérigo se torna um sacerdote, e deve ter uma veste de cores vivas, mostrando uma grande cruz. E assim sucessivamente: o que é simplesmente uma bandeja se converte em uma patena[3], e o que uma vez foi uma taça se torna um cálice; e quanto mais complicadas são as cerimônias, mais se agradam delas.

Agrada-lhes que seu ministro tenha a posição de um ser superior. O mundo gosta da religião que não pode compreender! Mas acaso nunca observaram quão gloriosamente simples é a Bíblia? Não aceita nenhum dos absurdos de vocês; fala muito claro e somente coisas claras. “Olhai!” Não há nenhum não convertido que goste disto: “Olha para Cristo, e sê salvo.” Não, ele vem a Cristo como Naamã veio a Elias; e quando lhe diz: “Vai e lava-te no Jordão!” ele responde: “Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, por-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar; mas a ideia de dizer-me que me lave no Jordão, é uma coisa muito ridícula. Qualquer um poderia fazer isso!” Se o profeta houvesse lhe ordenado fazer algo grandioso, por acaso não o teria feito? Ah, certamente teria feito. E se esta manhã eu dissesse que qualquer pessoa que caminhasse daqui a Bath sem sapatos nem meias, ou que fizesse qualquer outra coisa impossível, seria salvo, vocês sairiam para lá amanhã mesmo, depois do desjejum.

Se eu demorasse sete anos para descrever o caminho da salvação, estou certo que todos vocês ansiariam ouvir sobre isso. Se somente um doutor mui letrado pudesse definir o caminho do céu, como todos o seguiriam! E se fosse descrito com palavras difíceis, e com palavras intercaladas tomadas do latim e do grego, seria ainda muito melhor.

Mas o Evangelho que devemos pregar é muito simples. É somente: “Olhai!” “Ah!” dirá alguém, “por acaso isso é o Evangelho? Eu não prestarei atenção a isso.” Mas, por que Deus te ordenou fazer algo tão simples? Precisamente para dobrar teu orgulho, e para mostrar-te que Ele é Deus, e não há outro. Oh, vejam quão simples é o caminho da salvação. É: “Olhai, olhai, olhai!” Cinco letras no total! “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.”

Alguns teólogos necessitam uma semana para dizer-te o que deves fazer para ser salvo: mas Deus, o Espírito Santo, só precisa de cinco letras para fazê-lo. “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.” Quão simples é esse caminho de salvação! E, oh, quão instantâneo! Nos leva algum tempo mover nossa mão, mas um olhar não requer nem um momento. Assim, o pecador crê em um instante; e no momento em que esse pecador crê e confia em seu Deus crucificado para perdão, de imediato recebe a plena salvação através de Seu sangue.

Poderia haver alguém hoje que tenha vindo injustificado em sua consciência, mas que sairá daqui justificado, enquanto que outros não o farão. Pode haver algumas pessoas aqui, que são pessoas imundas em um instante, e perdoadas no seguinte. Tudo é feito em um instante. “Olhai! Olhai! Olhai!” E, quão universal é! Porque em qualquer lugar em que me encontre, sem importar quão longe esteja, simplesmente diz: “Olhai!” Não diz que veremos; só diz: “Olhai!”

Se tratarmos de ver uma coisa na escuridão, não podemos fazê-lo; mas temos feito o que nos disse que fizéssemos. Assim, se um pecador só olha para Jesus, Ele o salvará; pois Jesus na escuridão é tão eficaz como Jesus na luz, e Jesus, quando não podem vê-lo, é tão eficaz como Jesus quando podem vê-lo. Trata-se unicamente de “olhar”!

“Ah!”, alguém dirá, “eu tenho tentando ver a Jesus todo este ano, mas não consegui vê-lo.” Ele não diz que devemos vê-lo, mas “Olha para Ele!” E diz que os que o olharam, foram iluminados. Ainda que haja um obstáculo à tua frente, se unicamente olhas na direção correta, isso é suficiente. “Olhai para mim!” Não se trata tanto de ver a Cristo, mas de olhar para Ele. O querer a Cristo, o desejar a Cristo, o ansiar por Cristo, o confiar em Cristo, o apegar-se a Cristo, isso é o que se necessita. “Olhai! Olhai! Olhai!” Ah, se o homem mordido pela serpente houvesse voltado seus olhos sem visão para a serpente de bronze, ainda que não a houvesse visto, teria recebido a restauração de sua vida. É o olhar e não o ver, o que salva o pecador.

Repetimos isto: como isto humilha o homem! Há um cavalheiro que diz: “Bem, se me houvessem pedido mil libras esterlinas para minha salvação, eu teria considerado a quantia insignificante.” Mas teu ouro e tua prata estão corrompidos; não servem para nada. “Então devo ser salvo da mesma maneira que minha empregada Beatriz?” Sim, exatamente igual; não há um caminho especial de salvação para ti. Isso é para mostrar ao homem que Jeová é Deus, e não há outro. O sábio diz: “se se tratasse de resolver o problema mais maravilhoso, ou descobrir o maior mistério, eu o faria. Não poderia ter eu algum evangelho misterioso? Não poderia crer em alguma religião misteriosa?” Não, se trata de “Olhar!” “Como! Vou ser salvo da mesma maneira que esse colegial saído de um hospício, que não tem nenhuma preparação?” Sim, deve ser, pois não serás salvo de nenhum outro modo.

Outro afirma: “eu tenho sido muito moral e reto; tenho guardado todas as leis do meu país; e se há algo mais que deva fazer, o farei; vou comer somente peixe na sexta-feira, e vou guardar todos os jejuns da igreja, e isso me salvará.” Não senhor, isso não te salvará; tuas boas obras não servem para nada. “Como” Devo ser salvo da mesma maneira que a prostituta ou o bêbado?”. Sim senhor, há somente um caminho de salvação para todos. “Porque Deus sujeitou a todos em desobediência, para ter misericórdia de todos.” Ele ditou uma sentença condenatória para todos, para que pudesse vir a graça imerecida de Deus sobre muitos, para salvação. “Olhai! Olhai! Olhai!”. Este é o simples método de salvação. “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.”

3. Observem como Deus humilhou o orgulho do homem, e Se exaltou a Si mesmo, pelas pessoas chamadas a olhar. “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.” Quando os judeus ouviram que Isaías dizia isso, “ah!”, exclamaram, “deverias ter dito: Olhai para mim, Jerusalém, e sejam salvos. Isso teria sido o correto. Mas esses cães gentis, acaso olharão e serão salvos?” “Sim,” diz Deus, “lhes mostrarei, judeus, que ainda que lhes dei muitos privilégios, exaltarei a outros acima de vocês; Eu posso fazer o que me agrade com o que é meu.”

Agora, quais são os termos da terra? Pois, existem pobres nações pagãs que estão a poucos graus de distância das bestas, que são incivilizadas e incultas; mas se pudesse ir e caminhar pelo deserto, ou encontrasse o selvagem da Austrália em sua choça, ou percorresse os mares do Sul, e encontrasse um canibal, lhe diria a ele ou ao selvagem: “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.” Esses são alguns “dos termos da terra,” e o Evangelho é enviado a eles, tanto como aos cultos gregos, aos romanos refinados ou aos educados britânicos.

Mas eu penso que “os termos da terra” também quer dizer aqueles que se afastaram de Cristo. Refiro-me a ti, ébrio! Foste degradando-te até alcançar os termos da terra; quase sofreste de delirium tremens[4]; não podes ser pior; não há homem que respire que seja pior que tu. Acaso há? Ah!, mas Deus, para dobrar teu orgulho, te diz: “Olha para mim e sê salvo.” Há outra pessoa que viveu uma vida de infâmia e pecado, até destruir-se a si mesma, que até parece que Satanás a varre para tirá-la pela porta traseira; mas Deus lhe diz: “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.“

Parece-me que vejo aqui alguém que treme e que diz: “Ah!, eu não fui um destes, senhor, mas fui pior, pois frequentei a casa de Deus, e me desfiz de convicções, e de todos os pensamentos de Jesus, e agora creio que Ele jamais terá misericórdia de mim.” Tu és um desses “termos da terra!” Enquanto encontre alguém que se sinta assim, posso dizer-lhe que é um dos”termos da terra.” “Mas,” afirma outro, “eu sou tão peculiar; se não sentisse o que sinto, tudo estaria bem; mas sinto que meu caso é muito peculiar.” Isso está bem; são gente mui especial. Mas se olhas, poderás alcançar.

Mas outro diz: “Não há ninguém no mundo como eu; não creio que encontrem um ser debaixo do sol que tenha tido tantos chamamentos e os descartou, e tantos pecados sobre sua cabeça; além do mais, tenho tanta culpa que não gostaria de confessá-la a nenhum ser vivente.” Novamente, ele é um dos “termos da terra;” portanto, tudo o que tenho que fazer é clamar no nome do Senhor, “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra, porque eu sou Deus, e não há outro.”

Mas tu dizes que o pecado não te permitirá olhar. Eu te respondo, teu pecado será tirado de ti no momento em que olhares. “Mas não me atrevo; Ele me condenará; tenho medo de olhar.” Ele te condenará mais, se não olhas. Teme, então, e olha; mas não permitas que teu medo te impeça de olhar. “Mas Ele me lançará fora.” Prova-O. “Mas não posso vê-lO.” Te digo que não é ver, é olhar. “Mas meus olhos estão tão presos à terra, tão terrenais, tão mundanos.” Ah!, pobre alma, Ele dá poder para olhar e viver. Ele diz: “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra.”

Tomem isto, queridos amigos, como texto para o novo ano, tanto vocês que amam ao Senhor, como vocês que estão unicamente olhando por primeira vez. Cristão, em todas tuas aflições deste ano, olha para Deus e sê salvo! Em todas tuas provas e dores olha para Cristo, e encontre salvação. Em toda tua agonia, pobre alma, em todo teu arrependimento por tua culpa, olha para Cristo, e encontra perdão. Este ano lembre-se de voltar teus olhos ao céu, e mantém teu coração orientado ao céu. Recorda hoje que amarraste ao teu redor uma corrente de ouro, e colocaste um de seus elos na argola do céu. Olhem para Cristo e não temam. Não há tropeço quando um homem caminha com seu olhar para o alto, dirigido a Jesus. O que olhava as estrelas caiu na vala; mas quem olha para Cristo caminha com segurança. Mantenham seus olhos no alto, todo o ano. “Olhai para Ele, e sereis salvos,” e recordem que “Ele é Deus, e não há outro.”

E tu, pobre indivíduo que tremes, tu, que dizes? Iniciarás o ano olhando para Ele? Tu sabes quão cheio de pecado te encontras hoje; tu sabes quão imundo és; e, contudo, é possível que antes que te ponhas de pé e chegues ao corredor dessa igreja, estarás tão justificado como os apóstolos o estão diante do trono de Deus. É possível que antes que teu pé pise o umbral da porta de tua casa, tenhas perdido a carga que tuas costas suportou, e prosseguirás teu caminho, cantando:

“fui perdoado, fui perdoado; sou um milagre da graça; hoje é meu aniversário espiritual.”

Oh!, que fosse para muitos de vocês, para que ao fim eu possa dizer: “Eis-me aqui, e os filhos que me deste.” Escuta isto, pecador convicto! “Este pobre clamou a Jeová em sua angústia, e o livrou de todas suas aflições.” Oh!, Provai e vede que o Senhor é bom!

Creiam n’Ele agora; agora deixem que sua alma culpada descanse em Sua justiça; agora submirjam sua alma negra no banho de Seu sangue; agora ponham sua alma desnuda à porta do armário de Sua justiça; agora tragam sua alma faminta à festa da plenitude! Agora “olhem“! Quão simples parece! E, contudo, é a coisa mais difícil que um homem pode fazer. Eles jamais o farão, enquanto a graça nos constrange a fazê-lo. Contudo, ali está: “olhem”! Regressem para suas casas com esse pensamento. “Olhai para mim, e sereis salvos, todos os termos da terra, porque eu sou Deus, e não há outro.“

ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALFÍVICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA

FONTE: Traduzido de http://www.spurgeon.com.mx/sermon60.html

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização de Allan Roman.

Sermão nº 60 — Volume 2 do The New Park Street Pulpit,

Tradução: Rosangela Cruz

Revisão: Armando Marcos

Charles Haddon Spurgeon, referido como C. H. Spurgeon, foi um pregador batista reformado britânico. Converteu-se ao cristianismo em 6 de janeiro de 1850,


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Publicado por: JotaAntunes | 10 maio 2016

DRA LEDA VILLAS BOAS INDICA


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